Passaram quatro longos anos desde o início da invasão russa de 24 de fevereiro de 2022.
Longe da vitória rápida e decisiva ambicionada e preconizada por Vladimir Putin, a ofensiva transformou-se numa guerra prolongada de desgaste, com custos humanos e materiais extremamente elevados.
A duração desta guerra europeia é já comparável à dos grandes conflitos do século XX. Aproxima-se da Primeira Guerra Mundial, que durou pouco mais de quatro anos, e ultrapassa a duração da participação soviética na Segunda Guerra Mundial – que na Rússia chamam Grande Guerra Patriótica – que se estendeu de 1941 a 1945.
Trata-se, naturalmente, de uma comparação estritamente temporal: a escala global, a mobilização industrial e o número absoluto de vítimas dos conflitos mundiais são incomparavelmente superiores. Ainda assim, o paralelismo sublinha um dado essencial: também esta guerra, ao contrário das expectativas iniciais, se tornou estruturalmente longa e destrutiva e sem fim à vista.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado, observa que quanto mais a guerra se prolonga, mais mortífera se torna,
“Os civis são os que mais sofrem com este conflito, e 2025 deverá testemunhar o maior número de civis mortos na Ucrânia. Isto é simplesmente inaceitável”, lê-se no comunicado.
“Esta guerra devastadora é uma mancha na nossa consciência coletiva e continua a ser uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional”, sublinhou Guterres.
Em entrevista à BBC, Zelensky disse que Putin já iniciou a Terceira Guerra Mundial, e a única resposta seria uma pressão militar e económica intensa para forçá-lo a recuar.
“Acredito que Putin já a começou. A questão é quanto território ele conseguirá tomar e como detê-lo... A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si.”
Todos os ditadores do Mundo e ao longo de toda a História da Humanidade têm sido responsáveis por guerras, mais longas ou mais curtas, mais, ou menos, mortíferas, mas têm sido sempre os autores e os responsáveis por milhões de mortes e de estropiados para o resto das suas vidas.
Em toda essa imensidão de ditadores, presentes e passados, responsáveis por milhões de vítimas, neste e noutros continentes, Portugal também tem as mãos sujas de sangue.
Apesar da evolução das democracias e do aprofundamento das regras de convivência dos Estados de Direito, ainda despontam, aqui e ali, e apesar de tudo, demasiados focos de ervas-daninhas que, nos últimos anos, se têm especializado na produção de discursos que têm sido capazes de convencer cada vez mais idiotas, tal e qual como um simples vídeo no “Tik-tok” convence imberbes crianças no desafio de tomarem muitos comprimidos de Paracetamol.
Este admirável estúpido mundo novo carece de uma vigilância e de uma luta constante, não só diária, mas a cada minuto, mais firme e muito determinada, porque é a vida de todos nós que está em risco de uma regressão de décadas, de muitas décadas, mergulhadas nas mais profundas trevas.

Fontes: Para além da opinião própria vertida, estão reproduzidos pequenos extratos de três artigos: “Público”, “Correio da Manhã” e “BBC”.
