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“Um símbolo, sempre vivo, dos ideais genéticos da Revolução”

      Neste domingo, assinalam-se os 30 anos da morte do capitão Salgueiro Maia, falecido a 03 de abril de 1992.


      Indiscutível peça chave na Revolução de Abril, realizam-se homenagens por todo o lado e, na passada sexta-feira, no Largo do Carmo, em Lisboa, realizou-se uma sessão evocativa da data e do herói português a que assistiram, entre outros, capitães de Abril como Vasco Lourenço ou Carlos Matos Gomes, mas também lá esteve o general Ramalho Eanes que foi Presidente da República entre 1976 e 1986.


      Ramalho Eanes, falou aos jornalistas presentes afirmando que, na altura do 25 de Abril de 1974, "esperava mais", afirmando que não foi feito o suficiente para se "politizar a sociedade" e instituir uma "democracia dinâmica".


      «Há uma coisa indiscutível: o 25 de abril trouxe a liberdade, trouxe a democracia. Não escondo que, na altura, esperávamos mais, esperávamos uma democracia dinâmica, em que o povo resolvesse participar, em que o povo sentisse que ele é efetivamente o dono da liberdade e o dono do país», afirmou Ramalho Eanes.


      No entender de Ramalho Eanes, "os Governos são apenas um instrumento, um instrumento historicamente determinado, não mais que isso", devendo o povo "colaborar com esse instrumento, exigir esse instrumento e, quando fosse necessário, contestá-lo". "Isso, infelizmente, não aconteceu", afirmou.


      Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República a ser eleito democraticamente, afirmou fazer essa constatação "com um grande à vontade", por também ter "culpa nesta situação".


      «Não fizemos aquilo que é indispensável num povo que está amorfo, que nunca teve democracia, que vem de um regime autoritário salazarista. Nós devíamos ter, de alguma maneira, politizado a sociedade, devíamos ter feito com que realmente esse comportamento fosse sentido, fosse interiorizado e fosse praticado, porque só ele é que permite que a democracia se aprofunde permanente.»


      Eanes frisou que a "democracia não é uma conquista, a democracia é um desafio e, ou se luta para vencer esse desafio, ou a democracia começa a desiludir, começa a fragilizar-se, o que naturalmente é complicado e perigoso".


      Abordando a figura de Salgueiro Maia, Eanes considerou que o oficial de Cavalaria "representa, simbolicamente, todos os capitães: participou, arriscou-se, não pediu nada, não recebeu nada".


      «Acho que há aqui o ideal de pureza que é aquele que corresponde àquilo que era o grande propósito inicial de Abril (...), que era devolver ao povo aquilo que lhe pertencia geneticamente, que era a liberdade e o povo utilizar a liberdade como quisesse.»


      Eanes sublinhou que Salgueiro Maia é um "símbolo, sempre vivo, dos ideais genéticos da Revolução".


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      Fonte: “Notícias ao Minuto”.

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