Foi ontem notícia que a leitura do acórdão do processo-crime conhecido por "e-Toupeira" voltou a ser adiada e é já o quinto adiamento da leitura.
A leitura estava marcada para as 14 horas de ontem, mas não havia Oficiais de Justiça, por todos rerem aderido à greve do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) de todas as tardes, por tempo indeterminado e sem serviços mínimos. Greve limpinha, limpinha, sem dúvidas e sem absolutamente ninguém.
Neste processo-crime, para além do arguido mais mencionado pela comunicação social, o ex-assessor jurídico do Benfica Paulo Gonçalves, são também arguidos dois Oficiais de Justiça: José Augusto Silva e Júlio Loureiro.
Curiosamente, o arguido Oficial de Justiça Júlio Loureiro, compareceu no tribunal vestindo a camisola preta "Justiça para quem nela trabalha", manifestando a sua solidariedade para com a sua classe, ainda que na posição de arguido.
Esta notícia deve servir para que todos os Oficiais de Justiça compreendam que a greve de todas as tardes está aí disponível, sem dúvidas e sem serviços mínimos, apesar do boato de quem quer colar-lhe os serviços mínimos da outra greve dos atos, e deve servir ainda para mostrar que mesmo sob as mais difíceis condições, como é a circunstância de se estar na posição de arguido num processo-crime de grandes dimensões e ainda tão mediático, mesmo assim, debaixo dessa pressão, que é incomparável com a calmaria de qualquer secção de processos, o Oficial de Justiça Júlio ainda teve a força de comparecer com a velha camisola das lutas, fazendo-o, não só por si, como por todos os Oficiais de Justiça.
À comunicação social, o Júlio assegurou que este novo adiamento voltou a dever-se à greve dos Oficiais de Justiça, manifestando-se "completamente solidário" com a ação de protesto e conformado por mais uma viagem desde o Minho até Lisboa sem conhecer a decisão do processo.
"É complicado, mas é a vida. Temos de estar preparados e já estou nisto há cinco anos. Já estou mais do que preparado e não me admiro com nada. Temos de ser fortes. Não fiz nada e continuo a dizê-lo: contra mim não há nada", frisou Júlio Loureiro, que acrescentou estar de consciência "tranquilíssima" com este processo.
O Oficial de Justiça Júlio Loureiro está acusado de um crime de corrupção passiva, enquanto o Oficial de Justiça José Augusto Silva está acusado por um crime de corrupção passiva, seis de violação do segredo de justiça, 21 de violação de segredo por funcionário, nove de acesso indevido, nove de violação do dever de sigilo, 28 de acesso ilegítimo e um de peculato.
Relativamente a mais este adiamento, motivado pela greve de todas as tardes convocada pelo SOJ, este sindicato pronunciou-se da seguinte forma:
«Os Oficiais de Justiça continuam, de forma firme e consciente, com a força da sua razão, a afirmar uma luta que é de todos.
Aos "esforços" no sentido de se condicionar a Greve dos Oficiais de Justiça – por todos reconhecida como legal –, tentando impor, por interpretações e acordos, serviços mínimos a uma greve que não os têm, reagem os Oficiais de Justiça com firmeza, conscientes de que a luta da nossa carreira vale a pena, pois temos do nosso lado a Razão e a Justiça.
Os Oficiais de Justiça não vão desmobilizar e a greve vai manter-se, até serem atingidos os objetivos.»
Júlio Loureiro, ao nosso Diário Digital dos Oficiais de Justiça de Portugal, referiu que esta sua iniciativa se relacionava apenas com a luta dos Oficiais de Justiça, pretendendo "dar realce/força à nossa luta", como afirmou, realçando que só falou à comunicação social por tal motivo, "pois, caso contrário, não falaria", disse.



Fontes: entre outras: “Jornal de Notícias”, “O Jogo” e "SOJ-Fb".
