Decorreu ontem de manhã a prova de conhecimentos do concurso de acesso à carreira de Oficial de Justiça, concurso este que pretende preencher 570 lugares.
Finda a prova, na parte da tarde, os candidatos ficaram surpreendidos pelo pedido urgente da Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) para que enviassem cópias dos seus documentos de identificação até às 18H00. Não lhes era indicada a razão da súbita instrução, em tão curto prazo, para a detenção de cópia de documentos de identificação, apenas referindo que se tratava, ou tinha como propósito fins procedimentais.
Alguns Oficiais de Justiça mais velhos riram-se da atrapalhação com a urgência do pedido, sem declaração de consentimento das pessoas para a cedência de cópias do cartão de cidadão e ainda, comparando a vaga indicação do fim a que se destina a cópia, recordando quando enviavam postais, ou cartas simples, aos Executados e outros intervenientes processuais, no âmbito do Serviço Externo, dizendo-lhes para comparecerem no tribunal para “tratar de assunto do seu interesse”, sem lhes dizer, portanto, ao que iam e assim apanhavam os mais distraídos ou mais temerosos da justiça.
Obedientes e temerosos, mesmo sem saber para que seria usada a cópia do cartão de cidadão e mesmo sem prestar qualquer consentimento para a cópia, os candidatos lá enviaram as cópias.
Momentos depois a DGAJ divulgava a lista das classificações da prova.
Pode aceder diretamente à lista via a seguinte hiperligação: “Resultados da prova 06NOV2024”.
Da análise da lista de classificações constatamos que, do total de 1651 candidatos à prova, não compareceram quase 500, um número muito considerável (concretamente 495).
Como habitualmente, um número muito significativo acaba sempre por faltar à prova. Mas faltaram menos este ano, cerca de 30%. Comparando com o ano passado, em 2023 as ausências foram superiores a 40%.
Em termos de desistências, mantém-se um número muito baixo: este ano houve apenas uma e no ano passado houve 3.
No ano passado acabaram por realizar a prova mais de 700 candidatos e este ano realizaram a prova 1155.
Em termos de reprovações, isto é, para quem obteve classificações abaixo dos 9,5 valores, no ano passado contaram-se cerca de 300, enquanto que este ano o número de reprovações baixou para apenas 71.
Assim, se no ano passado a proporção dos aprovados para os 200 lugares era quase o dobro, este ano para os 570, o dobro seria qualquer coisa à volta de 1600, mas os aprovados deste ano não chegam ao dobro dos lugares disponíveis para ingresso e ficam-se pelos 1084.
Ora, se no ano passado com o dobro dos candidatos aprovados, em relação às vagas, não foi possível preenchê-las na sua totalidade, mesmo ao fim de muitas tentativas e nomeações oficiosas, no concurso deste ano, como não dispomos do dobro de aprovados, é lógico que se pense que haverá um risco maior de não se conseguirem preencher os 570 lugares.
Evidentemente que esta análise focada apenas na ponderação de números, não pode ser assim considerada, uma vez que os candidatos são pessoas, portanto, um pouco imprevisíveis e ainda incomparáveis com os candidatos do ano passado, pois detêm perfis diferentes, o que poderá contrariar a previsão meramente numérica.
Mas a imprevisibilidade não nasce apenas das aprovações, reprovações ou faltas de comparência, mas do Movimento Extraordinário que vai agora de seguida ser lançado.
Como todos sabem há muito, a manter-se a concentração de vagas nos locais para onde poucos querem ir, essa habitual restrição fará com que a maioria dos candidatos desista, mas se o Movimento ficar aberto a todo o país, não se perderá nenhum candidato e todos os lugares acabarão preenchidos à primeira.
Não sabemos se na DGAJ esta situação já foi compreendida, com a experiência de tantos Movimentos fracassados e tantos candidatos perdidos, ou se ainda não e se este próximo Movimento vai continuar a restringir as vagas e as colocações para, dessa forma, continuar a perder candidatos.
Vejamos abaixo o gráfico da dispersão das classificações obtidas na prova, no concurso deste ano 2024 e também no concurso do ano passado, 2023.
Repare-se como este ano (a castanho) as classificações são mais positivas e mais elevadas do que as de 2023 (a azul).

Apesar da prova não ter sido cedida aos candidatos, nem a sua correção, cá tivemos a preocupação e o esforço de a obter e de a corrigir, apresentando-a já com as respostas corretas assinaladas. Assim, podem os nossos leitores e mesmo todos aqueles que fizeram a prova, obtê-la agora e verificar a correção nela inserida, acedendo à mesma através da seguinte hiperligação: “Prova Acesso OJ 2024 Corrigida” (a ordem das 40 perguntas não segue aqui a ordem original).
Na imagem que segue está, como exemplo, uma das perguntas apresentadas na prova, estando assinalada a resposta correta.

