Afinal era ao contrário: quando o XXIV Governo anunciou os nomes das secretárias de Estado na noite de quinta-feira, trocou a secretária de Estado e adjunta da Justiça pela secretária de Estado da Justiça.
Divulgou o Governo uma informação errada, portanto, falsa, que foi difundida por todos os órgãos de comunicação social logo nesse dia, no dia seguinte e mesmo ainda durante o ato de posse transmitido em direto pelas televisões.
A dimensão do erro e do engano atravessou tudo e todos e, sem mais nem menos, o Governo corrigiu o erro sem dar nenhuma explicação, sem assumir o erro, sem avisar nada, ignorando o erro próprio ou querendo escondê-lo ou considerando-o irrelevante ou desconsiderando toda a comunicação social e os portugueses.
Começamos mal. Com atitudes destas, de desconsideração para com os portugueses, que não lhes merecem qualquer cuidado na comunicação, não se pode augurar nada de bom.
Trata-se de um erro duplo. Por um lado, temos o erro em si e, por outro lado, temos o novo erro da falta de assunção do erro primário.
A trapalhada não esclarecida da divulgação de listas públicas, ora contendo uma informação e, depois de todos a terem replicado, ter surgido nova lista com a mesma informação completamente invertida sem qualquer chamada de atenção – conforme podem constatar nas imagens abaixo obtidas nas respetivas duas listas oficiais divulgadas pelo Governo –, é algo que não se esperaria de um governo sério que pretende representar os portugueses.
Tomaram posse ontem pelas 18H00 no Palácio da Ajuda, em Lisboa, todos os secretários de Estado do XXIV Governo Constitucional e já hoje, sábado, rumam todos a Óbidos onde decorrerá um Conselho de Ministros informal com a presença dos secretários de Estado.
Assim, afinal, temos a juíza desembargadora Maria Clara Silva Maia Figueiredo, que exercia funções no Tribunal da Relação de Évora, como secretária de Estado adjunta e da Justiça (SEAJ), enquanto Maria José Dias da Mota Magalhães de Barros é a secretária de Estado da Justiça (SEJ).
No que diz respeito, entre outros, aos Oficiais de Justiça, aos tribunais e à DGAJ, a atribuição estará a cargo da SEAJ Maria Clara Figueiredo, sendo esta a nova interlocutora do Governo junto dos dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça e ainda a juíza responsável pela eventual manutenção da continuidade, ou não, das juízas que ocupam os cargos de diretora e de subdiretora da DGAJ. Como é óbvio, os Oficiais de Justiça desejam muito vê-las pelas costas, mas duvidam que tal venha a suceder agora, por motivos corporativos, aguardando-se a extinção das comissões de serviço, ocorrendo a da diretora-geral em novembro próximo e a da subdiretora-geral no mês de janeiro seguinte.
Será com Maria Clara Figueiredo que a carreira de Oficial de Justiça poderá (poderá) tomar um novo fôlego, caso tenha verdadeiro empenho neste seu novo cargo, que é diferente daquilo que tem feito na solidão dos gabinetes a decidir processos, estando agora na sua mão a possibilidade dos sindicatos terminarem definitivamente com todas as greves (e são quatro atualmente em vigor), mesmo com aquelas que se prolongam por tempo indeterminado (e são duas nestas condições), fazendo com que nos tribunais se possa respirar um ar novo que há tanto se ambiciona.
A nova secretária de Estado e adjunta da Justiça, Maria Clara Figueiredo, natural de Nisa, antes de ser juíza desembargadora no Tribunal da Relação de Évora, esteve em Portalegre na jurisdição do Trabalho durante muitos anos, mantendo domicílio na cidade de Portalegre.


