Os trabalhadores são hoje tratados como objetos de interesse empresarial, desprovidos da centralidade das suas funções, isto é, do seu trabalho de facto.
Já aqui abordamos por diversas vezes o triste eufemismo atual de apelidar os trabalhadores de colaboradores, mas hoje vamos abordar outra característica que se persegue nas empresas, trata-se do “Employer branding”.
O que é isto? Trata-se de tentar que cada trabalhador se torne um “embaixador” da empresa e, ou, da marca que a representa.
Parece óbvio para os empregadores: se se lhes paga, que façam publicidade à empresa e é isto, em síntese, o “Employer branding”.
Qualquer empresa com equipa de recursos humanos deve preocupar-se em transformar os trabalhadores em colaboradores e estes em representantes positivos da empresa.
Sem dúvida que o capital humano composto pelos trabalhadores de qualquer entidade, privada ou pública, é um fator de comunicação com os cidadãos em geral. Qualquer empresa privada que se preze gosta que os seus trabalhadores sejam embaixadores da mesma, transmitindo os aspetos positivos que a mesma detém.
Mas o “Employer branding” não é apenas uma oportunidade comunicacional para fora, mas também uma ideia para dentro. Para que o trabalhador transmita uma mensagem positiva do seu trabalho tem, primeiramente, que se sentir bem com esse trabalho.
Não basta com uma remuneração razoável para deter um capital humano positivo, há muitos outros aspetos que contribuem para a positividade ou, pelo menos, para a perceção desta pelos trabalhadores.
Em síntese, o “Employer branding” não é mais do que aquilo que em Portugal chamamos: “vestir a camisola”, da empresa, da marca ou dos serviços. Neste sentido as empresas determinam o seu EVP – Employee Value Proposition, isto é, aquilo que guia a empresa (a tal missão e visão, os tais valores que a conformam), a cultura, o que a distingue de todas as outras, o que traz valor acrescentado, o que a diferencia.
O trabalhador é, assim, objeto de análise, não pelo que é em si, mas enquanto coisa de interesse para a empresa que lhe aporta, para além do benefício do seu trabalho, outros benefícios comunicacionais que permitem à empresa alcançar o seu objetivo: mais lucro.
De todos modos, é bem verdade que um trabalhador satisfeito é um bom embaixador da sua entidade patronal e, pelo contrário, trabalhadores insatisfeitos são motores de descontentamento, interno e externo.
Se isto se aplica às empresa privadas e se estas estão atentas a estes aspetos, não necessariamente por aportar benefícios aos trabalhadores, mas porque tais benefícios resultam a final em benefício da empresa, tal preocupação, que tem aplicação idêntica no serviço público, mas, no entanto, neste serviço nada disto ocorre, bem pelo contrário.
No caso dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, os Oficiais de Justiça são o perfeito bom mau exemplo.
É difícil encontrar o EVP (Employee Value Proposition) dos Oficiais de Justiça, pelo que não existe qualquer “Employer branding”, apesar do Ministério da Justiça ter vindo agora imitar os patrões privados, transformando os trabalhadores em colaboradores, criando até uma plataforma que denomina de “Portal do Colaborador”.
Não basta com alterar a denominação dos trabalhadores para se estar alinhado com a modernidade do trabalho, é necessário que os trabalhadores vistam mesmo a camisola dos órgãos onde desenvolvem o seu trabalho e não aquela camisola negra que reclama por “justiça para quem nela trabalha”. Enquanto for essa camisola negra a vestida, será igualmente negra a mensagem comunicacional do dia-a-dia; interna e externa.

Fonte: “Eco”.
