Noventa e dois crimes de burla qualificada, falsidade informática e acesso ilegítimo valeram a Bruno M. P. R. A. Sousa, um técnico de informática ao serviço do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) uma pena de nove anos e meio de prisão, já confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça.
Durante dois anos usou credenciais do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) para aceder a dados pessoais e posteriormente bancários. Nos casos mais graves fez levantamentos de milhares de euros, noutros casos usou os dados para fazer empréstimos sem o consentimento dos lesados. Houve ainda situações em que Bruno Sousa acedeu e alterou dados pessoais, mas não terá conseguido obter qualquer vantagem económica. Exemplo disso foi a tentativa de burla a Bernardo Sousa, conhecido piloto de ralis e marido da “influencer” Bruna Gomes, que participou no programa “Big Brother Famosos”, da TVI. O piloto não se deixou enganar.
Os juízes explicam que “o arguido acedeu à rede informática do IGFEJ, e com recurso a nome de utilizador e senha de acesso de funcionários do IRN (dados aos quais só teve acesso por causa das suas funções) e sem o conhecimento dos mesmos acedeu ao sistema informático interno do “Ciclo de Vida do Cartão de Cidadão”, sabendo que o mesmo era composto por dados confidenciais, protegidos por lei, e alterou o número de telemóvel associado a chaves móveis digitais de vários cidadãos para se autenticar eletronicamente junto de várias entidades públicas e privadas, abrir contas bancárias e contrair empréstimos financeiros”. Foram identificadas nove pessoas lesadas.
Os crimes ocorreram ao longo de dois anos, entre 2021 e 2023. Nesse período, Bruno Sousa efetuou levantamentos com cartões digitais e chegou a comprar telemóveis topo de gama. Contraiu empréstimos no valor de 100 mil euros e conseguiu arrecadar para si mais de 35 mil euros.
Em tribunal, numa confissão feita no final do julgamento, o informático admitiu parte dos crimes, assumindo que as vítimas não eram escolhidas ao acaso. Disse que se tratava de um vizinho que considerava agressivo, dois amigos que lhe ficaram a dever dinheiro de serviços informáticos no passado e outros dois a quem pagou um telemóvel que nunca recebeu. Assumiu ainda que lesou o próprio IGFEJ por não lhe pagar formações que havia realizado. No caso do piloto Bernardo Sousa, justificou apenas que a sua companheira gostava muito dele, de o ver na televisão e que queria saber onde morava.
A pena foi aplicada em 1ª instância em 2025 e o técnico de informática foi detido em 2023.
Há quase uma centena de técnicos de informática do IGFEJ que são Oficiais de Justiça, mas também há outros que estão ao serviço do IGFEJ sem terem sido Oficiais de Justiça, como é o caso do técnico desta notícia que chega ao IGFEJ por mobilidade intercarreiras, consolidada em 2021, tendo antes exercido funções, desde 2013, na Câmara Municipal de Azambuja. Ou seja, durou pouco no IGFEJ: consolida a mobilidade em 2021 e é detido em 2023.
Fonte: “PplWare”, “Correio da Manhã”, “Notícias de Coimbra” e “Jornal de Notícias”.

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