Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Tantos anos de vãs promessas

      O Palácio da Justiça de Portalegre fechou há 10 anos, para que se realizassem obras de reabilitação. Os serviços foram divididos por dois edifícios em locais diferentes na cidade. A situação mantém-se.


      Já aqui publicámos diversas notícias sobre esta situação de Portalegre, mas destacamos hoje o artigo que em 2017, apenas três anos após o encerramento, aqui publicávamos com o título: “A Provisoriedade Definitiva em Portalegre”.


      Nessa altura, em face de todos os falhanços das previsões e sucessivas promessas governamentais, como os Oficiais de Justiça bem sabem: “Até ao final do ano” ou “No próximo ano”; “Agora é que vais ser”… Nunca nada se concretizando, ano após ano.


      No nosso artigo de 2017 considerávamos assim: «Tendo em conta que nestes três anos já decorridos não se fez obra, quando esta começar ainda se terá de aguardar que seja concluída, pelo que, desconhecendo-se o início ou reinício, desconhece-se quantos mais anos as instalações provisórias continuarão a ter este caráter “definitivo”.»


      A previsão em 2014 era de que as obras durariam pouco mais de um ano e visavam, entre outras ações, a criação de quatro salas de audiências, gabinetes para todos os magistrados, ampliação das secretarias, bem como a criação de acessos para pessoas de mobilidade reduzida.


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      Esta última terça-feira, 14MAI, a secretária de Estado adjunta e da Justiça (SEAJ), Maria Clara Figueiredo, foi a Portalegre e anunciou mais um “Agora é que é”, anunciando as obras de reabilitação e de ampliação de há dez anos.


      A governante revelou que, até ao final de maio – e faltam 15 dias para terminar o mês –será aberto o concurso público para a realização da obra, com um valor de adjudicação de 1 milhão e 800 mil euros. A empreitada pode, assim, ter início a breve prazo, afiançou.


      Em 2014 o valor das obras rondava os 700 mil euros, agora mais do que duplicou.


      Maria Clara Figueiredo, a nova SEAJ, desde há cerca de um mês, anunciou a “novidade” aos jornalistas presentes na cerimónia de posse do novo presidente do Tribunal Judicial da Comarca de Portalegre, o juiz de Direito Francisco José Nunes Galvão Correia.


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      Entre outros convidados, estava presente o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Henrique Araújo, que não deixou de mostrar a sua indignação com o atraso nas obras e o encerramento de 10 anos.


      Em declarações à Rádio Portalegre, o juiz conselheiro, acusou o Ministério da Justiça de “total ineficácia”, para resolver, não só o problema do Palácio da Justiça de Portalegre, como de outros tribunais do país, ao mesmo tempo que expressava o desejo de que este seu alerta possa fazer “soar as campainhas”, para que as obras se façam rapidamente.


      O Palácio da Justiça de Portalegre, sede da Comarca de Portalegre, encerrou nas férias judiciais de Natal de 2014.


      O governo do Partido Socialista iniciou funções em 2015 e os anúncios do “Agora é que é” sucederam-se, não só em relação a essas e outras obras, mas também, como todos bem sabem, em relação à carreira dos Oficiais de Justiça, tendo mesmo havido um denominado “Ano dos Oficiais de Justiça”, porque nesse ano é que tudo iria acontecer.


      Os Oficiais de Justiça e, bem assim, os portugueses, tiveram a má sorte de realizar escolhas políticas erradas, ano após ano, sempre acreditando no “Agora é que é” e no regresso de D. Sebastião num dia de nevoeiro; é a fé dos portugueses, homens e mulheres de grande fé e, por isso, tão amansados.


      O atual governo repete a velha fórmula, mas como só tem um mês, temos mesmo de lhe conceder o benefício da dúvida.


      Tal como ao longo destes anos fomos aqui deixando nota das vãs promessas, aqui fica hoje esta também registada para memória futura; para ver se é igual às anteriores ou se, por fim, desta vez é que é mesmo.


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      Fontes: “Rádio Portalegre”, “Citius” e “Justiça.Gov.pt”,


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