Esta semana, acabou o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) por publicar uma nota sobre as “inverdades” – como eufemisticamente designa o SOJ as falsidades e as mentiras – que aponta às informações veiculadas pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).
Nessa nota, lamenta o SOJ que o SFJ fuja à verdade e tenha incendiado o espectro sindical com as tais “inverdades”, denegrindo, como sempre, a imagem do SOJ.
Claro que se pode considerar difamação e, claro, que a reação do SOJ se mostra necessária e perfeitamente justificada, perante o ataque de que foi vítima, apesar das muitas vozes que rapidamente se levantaram criticando a alegada falta da santa e sonhada “união” como se fosse instigada pelo SOJ.
Como comenta o SOJ na sua página do Facebook, em resposta a um comentário de tal índole: «Assim sempre o temos entendido, mas ainda recentemente foi publicado um comunicado onde foram apresentadas diversas inverdades, relativamente ao SOJ. Alguns dos que agora se indignam, ficaram perante esse comunicado calados.»
Efetivamente, todos aqueles que se indignaram com a nota do SOJ se mantiveram calados, em concordância, com a instigação e rutura que o SFJ introduziu no tão frágil equilíbrio da ténue harmonia sindical.
Quem trabalha na área da justiça devia ter um sentido da mesma muito mais aprofundado, sabendo mais do que aquele conceito escrito com letras brancas numa camisola preta. Todos devem saber da obrigatoriedade do contraditório e da necessidade de se ter uma postura mais imparcial que possa conduzir a apreciações mais justas, reais e verdadeiras, sem a habitual postura tendenciosa e parcial, que se resume a um clubismo simplesmente vergonhoso e imberbe.
Por isso, é perfeitamente legítima a reação do SOJ, tal como é perfeitamente necessária a reação de todos nós no sentido de não se alimentar a atual tendência poluidora social de se inventarem falsidades com o maior descaramento, conspurcando a fraca racionalidade dos movimentadores de dedo em ecrãs pequenos.
Por tudo isso vai a seguir reproduzida, na íntegra, a nota do SOJ que, em título assim a designou: “A informação que não pretendíamos fazer”.
«Desde a sua constituição que este Sindicato, por dever de ofício, isto é, para tentar garantir a unidade da carreira, tem mantido alguma reserva – aquilo a que vulgarmente se designa por engolir sapos – relativamente às campanhas indignas, pejadas de falsidades e que têm sido levadas a cabo por dirigentes de outra entidade sindical, no caso concreto do SFJ.
Não vamos recuperar o tempo em que o SFJ afirmava, faltando à verdade, que o Presidente do SOJ tinha sido seu associado ou quando afirmava, mais uma vez tentando enganar todos, que o SOJ era a continuidade da Associação dos Oficiais de Justiça (AOJ) – sobre essa associação, entretanto extinta, muito haveria a contar –, quando na verdade preparava uma “golpada” para se “apropriar” do trabalho dessa associação, o que conseguiu, e assim passou a fazer parte da UER, de que hoje tanto se orgulha.
O SOJ tem orgulho no trabalho que desenvolve e não precisa de estar a recorrer a “estratégias” para ficar com o trabalho de outros.
Ainda sobre a apropriação do trabalho, não vamos recordar a forma ignóbil como o SFJ afirmava aos colegas, oriundos da Universidade de Aveiro, que havia defendido o seu ingresso, quando na verdade sempre se opôs e até recorreu aos tribunais, contra esses ingressos.
Igualmente, quando se apropriou de uma greve decretada pelo SOJ, fazendo crer que a greve havia sido decretada por si, recebendo até “menção honrosa”, atribuída pelos Deputados da Assembleia Regional da Madeira, que tão pronta e orgulhosamente publicou no seu “site”.
O SOJ calou, mais uma vez, a sua indignação, pois seria fácil exigir que a verdade fosse recolocada. Mas a carreira sairia beneficiada com a reposição da verdade ou sairia ainda com uma imagem mais fragilizada? Uma carreira que sempre se deixa enganar acaba por não ser uma carreira valorizada...
Ou mais recentemente quando em greves conjuntas, decretadas por ambos os Sindicatos, o SFJ informava aos órgãos de comunicação social que o SOJ não estaria presente, para dessa forma monopolizar o espaço mediático – aqui cabe destacar, pela positiva, o Ex-Presidente do SFJ, Fernando Jorge, que, nesse plano, sempre partilhou esses “palcos”, mesmo quando as iniciativas eram exclusivas do SFJ e, nessas, era o próprio presidente do SOJ que, por vezes, entendia não estar presente nas suas “concentrações”, para que todo o protagonismo estivesse com quem desenvolveu a iniciativa.
Não se entende é que em iniciativas conjuntas, tenham existido algumas “habilidades”.
Mas quando falamos em greves conjuntas, também não vamos recordar, quando numa greve conjunta de 2 dias, o SFJ “abandonou a greve” para ir a um evento a Fátima, pois ao segundo dia só a RTP estaria presente e foi perante a insistência do Presidente do SOJ, afirmando que ninguém entenderia que numa greve de dois dias só um sindicato se mantinha fiel aos compromissos assumidos que acabou por ser “repescada” a nossa colega Regina, atualmente Presidente do SFJ – aqui cabe referir que desconhecia de todo o que havia acontecido –, para “estar ao lado” do Presidente do SOJ, no Campus de Justiça, numa luta que ambos os sindicatos entendiam importante, mas que uns abandonavam para ir para um evento a Fátima. O que se diria, ao tempo, se isto fosse do conhecimento público?
São muitas as situações que temos calado, em nome da unidade, mas não insistam pensando que o SOJ vai continuar a “engolir sapos” em nome do interesse geral da carreira.
O SOJ informou aos seus associados, em privado, recorrendo a uma linguagem livre entre colegas, para esclarecer a verdade perante um artigo pejado de falsidades e muita propaganda, fruto talvez da impreparação de quem participa de processos negociais.
Essa informação foi tornada pública e assumimo-lo na sua plenitude, embora, a sabermos que seria tornada pública, talvez não tivéssemos recorrido à informalidade com que o fizemos.
Contudo, reiteramos que o comunicado do SFJ enferma de inverdade e que essa situação será esclarecida, onde tem de ser esclarecida, em reunião com o Governo.
O SOJ tem um trabalho que merece o reconhecimento de todos os que o acompanham e ao contrário do que também afirma o SFJ, também apresenta documentos, quando se justifica. Aliás, sobre documentos apresentados não vamos nem recordar posições que conflituam umas com as outras ou, pior, o ocorrido na reunião do dia 16 de dezembro, por decoro.
Assim, e em conclusão, afirmar que o SOJ tem mantido enorme reserva, em nome da unidade e no interesse da carreira.
Estamos, como sempre estivemos, disponíveis para trabalhar conjuntamente com todos os sindicatos, pois sempre assim o fizemos. Mas, exigimos respeito e não vamos continuar, com o nosso silêncio, a permitir que alguns pensem que vale tudo.
Não vale tudo e concentremo-nos em trabalhar em prol dos trabalhadores que representamos. Reiteramos, estamos disponíveis para trabalhar conjuntamente com todos os Sindicatos, em prol da carreira. Contudo, exigimos, pois assim o fazemos também, Respeito. Não contem com o SOJ para guerrinhas pelo "poder sindical”.
Nota final: este artigo é escrito, com imensa dificuldade pois não era do nosso agrado fazê-lo, mas há momentos em que é necessário dizer basta. Este artigo também não é publicado no nosso “site”, pois entendemos que não tem relevância institucional que se colocam nos artigos ali publicados.»
Fonte: “Nota-SOJ-Facebook”.

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