O SFJ está perfeitamente transformado numa agremiação com uma direção que diz algo assim: “agarrem-me agora senão eu vou-me a eles!”.
É um sindicato que, propriamente, não tranquiliza, mas que, antes, narcoticamente apazigua e fá-lo com êxito perante inúmeros associados.
Há cerca de uma semana, logo após a divulgação das linhas gerais da proposta do Ministério da Justiça, António Marçal, o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) disse, em vídeo, que a proposta apresentada pela tutela era “gozar com quem trabalha”, que era “inaceitável” e que “nem sequer existe uma verdadeira revalorização salarial” e, assim considerando o fim do “benefício da dúvida”, António Marçal afirmou que o SFJ iria apresentar – nesta semana – uma contraproposta com ultimato para partir para a luta, com um calendário das lutas e que, sem dúvida, poderia passar por uma concentração nacional de todos os Oficiais de Justiça em Lisboa.
«Demos o benefício da dúvida a este Governo e à equipa desta ministra, mas perante este desrespeito com esta proposta enviada, não nos resta outra solução senão partirmos para a luta e é isso que faremos. Iremos para a luta de uma forma dura e empenhada, conforme fizemos no passado recente.», afirmou António Marçal.
Perante tais palavras, assim tão determinadas, durante toda a semana os Oficiais de Justiça aguardaram pela calendarização das iniciativas da dita luta “dura e empenhada” e pelo final (finalmente) do dito “benefício da dúvida”.
Os Oficiais de Justiça acreditaram (mais uma vez) que Marçal estava mesmo raivoso com o Ministério da Justiça e que a semana traria novos modos de luta verdadeiramente ímpares, como afirmara.
Tudo mentira!
Decorrida toda a semana, o presidente do SFJ veio, afinal, apresentar um “Nada” acompanhado de uma nova esperança e de uma nova “boa-fé” que, talvez, só ele acredite. Ao fim e ao cabo, veio apresentar aquilo que é a continuidade de há tantos anos: um torpe apaziguamento dos Oficiais de Justiça.
Afinal já não há nada, nem calendário, nem nada, mas, antes, um novo adiar e uma nova (mais uma) oportunidade da dita “boa-fé”.
Diz assim a última nota sindical:
«Este Sindicato tem agido de boa-fé, esperando que da parte do Governo houvesse a vontade de inverter as posições assumidas por outros governantes.»
«Perante tal proposta inicial por parte do Governo, o Sindicato dos Funcionários Judiciais continua firme no seu propósito em participar de um processo negocial sério e “honesto”, tal como nos foi proposto desde o início pela Sra. Ministra da Justiça, que tenha como propósito uma revisão estatutária que sirva os interesses dos seus representados e de todo o sistema de Justiça, valorizando justamente (e finalmente) todos aqueles que, de forma abnegada, têm deixado “suor e lágrimas” num órgão de soberania ao longo de décadas, e não deixando ninguém para trás.
Sem prejuízo de recorrermos a todas as formas de luta no futuro, e de as divulgarmos oportunamente, reiteramos, uma vez mais, que esperamos, no próximo dia 16 de janeiro de 2025, uma real e verdadeira inflexão na posição do Ministério da Justiça liderado pela Senhora Dra. Rita de Alarcão Júdice.»
Portanto, já não é esta semana que a entidade sindical tem uma atitude de entidade sindical, ficando esta adiada para depois do dia 16JAN, para ver se nessa altura há uma iniciativa, não sindical, mas da ministra da Justiça, no sentido de propor coisa diversa desta que foi apresentada.
Por favor, “agarrem-me que me vou a eles”, não agora mesmo, porque estou empanturrado de bolo-rei, mas depois da reunião de 16JAN não passam, aí é que vai ser…
Oficial de Justiça – “Ó Marçal, então e a promessa desta semana para o calendário da luta e a concentração em Lisboa?”
António Marçal – “A promessa está cumprida. Esta semana anunciei ou não anunciei?”
Oficial de Justiça – “Mas é apenas mais um adiamento…”
António Marçal – “Mas não deixa de ser um anúncio, não é verdade?” Eu cumpro sempre o que prometo.”
Na mesma informação de ontem, o SFJ, aborda outras questões, como os contactos com as denominadas “forças vivas” do setor e, neste aspeto, concordamos plenamente que o sindicato, moribundo, contacte com forças que estarão vivas, como diz, numa derradeira tentativa de ressuscitamento da própria estrutura sindical, mais que não seja, por contágio.
Caso consiga e tenha a paciência necessária, pode aceder à informação sindical de ontem, através da seguinte hiperligação: “SFJ-Info”.

