No final do dia de ontem, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), publicou uma nota informativa com o seguinte teor:
«O SFJ foi hoje convocado, pelo Gabinete da Sra. Ministra da Justiça, para uma reunião que ocorrerá no próximo dia 2 de Maio pelas 16 horas no Ministério da Justiça.
Desconhecemos quais os assuntos a serem tratados/debatidos na reunião suprarreferida, no entanto, o SFJ, como sempre, apresentará à Exma. Sra. Ministra da Justiça o seu caderno reivindicativo que assenta em todas as situações que nos têm preocupado ao longo dos últimos anos.»
Fonte: “SFJ-Info”.
Atenção ao pormenor que não é nada menor:
Diz-se na informação sindical que o Gabinete da Ministra da Justiça convocou/marcou e não disse para quê. E lá vai o SFJ contente a abanar a cauda. Isto é inadmissível. O Gabinete da ministra da Justiça convocará quem quiser e para o que quiser desde que esteja na alçada desse Ministério mas, ao que se sabe, os sindicatos não estão tutelados por esse Ministério, pelo que uma convocatória sem dizer o assunto, sem uma ordem de trabalhos, a uma entidade externa, não pode ser aceite sem uma prévia explicação.
A atitude do Gabinete, de convocar sem justificar é uma péssima atitude mas a atitude de subserviência do Sindicato SFJ é ainda pior.
A ser verdade e a ter ocorrido tal convocatória nos precisos termos que vêm descritos na informação sindical, a atuação é péssima, mas de ambas as partes, constituindo um total desrespeito por todos os Oficiais de Justiça que se veem duplamente desrespeitados, desde logo pelo tal Gabinete, que ordena, e, de seguida, por aquele Sindicato, que obedece, aceitando o ultraje, isto é, que aceita ser tratado como fazendo parte do Ministério ou do Governo, como uma sua dependência.
O SFJ não existe por subvenção pública do Governo, mas pelas quotas que todos os meses os Oficiais de Justiça lhe entregam, muitos até de forma esforçada, por isso, é inadmissível esta sujeição à submissão, ainda por cima, logo desde o início da legislatura, abrindo um precedente gravíssimo.
O SFJ deve submissão apenas aos seus associados, não ao Governo nem a qualquer outra entidade.
Aceitar a afronta da convocatória sem que esta diga, pelo menos, aquilo que há uns anos diziam as convocatórias do Serviço Externo: “para tratar de assunto do seu interesse” é uma dupla afronta: por quem ousa ordenar e por quem se sujeita à obediência.

Entretanto, a não esquecer, na próxima sexta-feira 22ABR (sexta-feira), está marcada uma greve que não poderá ter a imposição de serviços mínimos porque hoje, feriado e também sexta-feira, não há serviços mínimos de turno.

