Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Sexta 13: Compareça com uma Escada de Fuga

      E, subitamente, o suplemento criado para os professores deslocados das suas residências para locais que ninguém quer, subiram de 75 a 300 euros, para 150 a 450 euros.


      Ou seja, verificando-se que há locais que, pelo custo especialmente mais elevado da habitação, os professores não querem ocupar lugares nessas escolas, que até lhes ficam distantes das suas residências de origem, o Governo, graciosamente, ofereceu-lhes um suplemento que variava até aos 300 euros, conforme a distância a que os professores estariam das suas residências.


      Mas ontem, subitamente, o Governo incrementou o valor da proposta para esse suplemento, podendo agora o mesmo ir até aos 450 euros.


      Toda esta situação é passível de ser comparada com a situação dos Oficiais de Justiça, uma vez que nesta carreira também há locais para onde ninguém quer ir e para onde ninguém quer ir desde há muitos anos, coisa que, no entanto, não preocupa o Governo.


      Também subitamente, foi ontem anunciado no boletim da DGAJ que hoje mesmo seria publicado em Diário da República um concurso para admitir o ingresso dos tais 570 novos Oficiais de Justiça já anunciados.


      Este concurso é lançado sem que haja sido revisto o Estatuto e sem que haja sido revista a tabela de vencimentos.


      Decididamente, o Governo está possuído de uma estranha fé no que diz respeito aos Oficiais de Justiça.


      Acredita o Governo que agora é que vai ser e que vai conseguir arrecadar 570 novos Oficiais de Justiça, porque a carreira está pacificada com os 3,5% acordados com os Oficiais de Justiça que não andaram nada acordados e que, nos vencimentos base representa um aumento de cerca de 30 euros. Sim um três seguido de um único zero.


      Perante este estado de sítio, muitos Oficiais de Justiça estão a pensar, cada vez mais, em múltiplas hipóteses de abandonar a carreira, mas a abandonar como fuga, isto é, com pressa de fugir.


      Por isso, e tendo em conta os mais recentes episódios prisionais, seria de todo o interesse que a concentração da próxima sexta-feira em Lisboa contasse com uma encenação ou demonstração deste espírito de fuga que invade todos os Oficiais de Justiça, uma demonstração bem mediática.


      Seria de todo o interesse que cada Oficial de Justiça comparecesse munido de uma escada ou escadote, isto é, algo para estar ao alto e mesmo poder subir.


      Uma concentração com Oficiais de Justiça empoleirados nas escadas e nos escadotes, tentando saltar o muro, isto é, fugir da profissão mais desprezada da função pública, uma vez que padecendo dos mesmos males de outras, tem tratamento diferenciado negativo, discriminatório. É nos suplementos, nos vencimentos, no descongelamento… Cada dia que passa mais uma acha para a fogueira. Cada dia que passa, vemos como aquilo que não era, reiteradamente, possível para os Oficiais de Justiça se materializa em muito mais para as demais profissões.


      É, pois, necessário agir e reagir. As televisões vão adorar filmar as escadas e escadotes, ou meros bancos que permitam que alguém suba e fique mais alto. Os jornais vão fotografar e, ainda que possam ser poucos os presentes, serão, sem dúvida alguma, muito vistosos.


      Não tem um escadote em casa, nem daqueles que só têm dois ou três degraus, vá comprar, pois dá jeito para a manifestação e para as lides domésticas.


      As escadas mais longas, de dois, três ou mais metros, devem ser transportadas por, pelo menos, dois Oficiais de Justiça e estas serão as mais vistosas, colocadas em pé no meio da concentração.


      Os escadotes com cinco ou seis degraus servirão para subir e ter alguém no cimo a olhar o horizonte da fuga.


      Quantas mais escadas houver, mais atenção mediática haverá. À comunicação social deverá ser explicado este sentimento de fuga pretendido pelos Oficiais de Justiça.


      Assim, fica o apelo: sexta-feira 13, defronte ao Ministério da Justiça, leve uma escada de fuga, porque de uma fuga se trata esta mágoa dos Oficiais de Justiça.


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