Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
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Será possível uma inédita greve ibérica a 11/11?

      Os sindicatos espanhóis (as duas maiores centrais sindicais) marcaram uma greve geral para o próximo dia 11 de novembro e estabeleceram contactos com sindicatos portugueses para que em Portugal se convoque greve idêntica, formando a primeira greve ibérica que os espanhóis já apelidaram de “Greve Saramago”.

      «Efetivamente, estamos a falar com eles. São os portugueses que têm de dizer se vamos coincidir numa mobilização na Península Ibérica, que seria também histórica», disse Unai Sordo, secretário-geral da CC.OO (“Comisiones Obreras”), depois de ser questionado sobre a possibilidade de uma “greve geral ibérica” numa entrevista conjunta à televisão RTVE e à agência de notícias EFE.

      «Se fizerem a greve geral em Portugal vamos chamá-la Greve Saramago», disse Unai Sordo, em referência ao escritor português José Saramago, que viveu e morreu em Espanha.

      Até ao momento, para esse dia onze do onze, apenas a FENPROF tem confirmada uma greve sectorial.

      Para além da greve geral pela habitação convocada para 11 de novembro em Espanha, há greves gerais anunciadas em França para 05 de novembro e em Itália a 20 de novembro.

      Todas as greves coincidem nos mesmo temas: habitação e salários dignos, ao mesmo tempo que, em Portugal, a repressão do Estado apela a um novo motivo: a liberdade de manifestação.

      O secretário-geral das “Comisiones Obreras” (CC.OO) considerou que as greves e outros protestos respondem a um “mal-estar de época” por causa da diminuição das expectativas de vida.

      A greve geral pela habitação em Espanha, a 11 de novembro, corresponde à véspera do arranque da campanha eleitoral das legislativas antecipadas marcadas para 29 de novembro, e junta as duas grandes centrais sindicais espanholas, CC.OO e UGT.

      Esta greve responde a um apelo das associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas e Inquilinos, que defendem o direito à habitação e têm mobilizado milhares de pessoas em protestos diários nas ruas desde 23 de setembro, mesmo com tendas montadas e sem bastonada alguma.

      Segundo os sindicatos, a greve visa “reivindicar salários dignos para aceder a uma casa digna”. As causas dos espanhóis são exatamente as mesmas dos portugueses, tendo os portugueses até mais motivos para a greve do que os espanhóis, uma vez que enquanto os espanhóis têm tendas montadas há mais de um mês, os portugueses são corridos à bastonada a cada noite depois da meia-noite e meia.

      Será que as centrais sindicais portuguesas terão a mesma postura das suas congéneres espanholas? Será que algum sindicato independente terá idêntico fulgor e indignação como os espanhóis?

      Estas manifestações de rua não podem ser ignoradas, desde logo porque nascem no seio do Povo e ganham cada vez mais apoiantes e ainda porque acabamos de ter o inédito caso da Sérvia, em que os manifestantes da rua, essencialmente estudantes, acabaram por vencer as eleições legislativas deste fim de semana, algo completamente inédito e que deve ser um sinal para todos.

      O problema da habitação, dos salários e das liberdades, é algo que não pode passar ao lado dos sindicatos, especialmente dos sindicatos portugueses, precisamente porque não passa ao lado de nenhum trabalhador português e, neste sentido, qualquer sindicato, por menor representação que tenha ou que apenas represente uma pequena e concreta classe de trabalhadores, ainda assim, está totalmente legitimado a convocar, por si só, uma greve solidária para o dia onze do onze. E os Oficiais de Justiça gostariam de poder contar com os seus sindicatos a este nível de solidariedade.

      Uma das porta-vozes do Sindicato das Inquilinas e Inquilinos de Madrid, Alicia del Rio, disse que o apelo desta organização é que em Portugal e noutros países haja organização popular e ativismo a nível de bairro e que, se houver uma greve geral ibérica, “que chegue a todo o lado”, incluindo à população imigrante.

      O Sindicato dos Inquilinos mantém contacto com grupos e associações que defendem o direito à habitação em Portugal, disse Alicia del Rio.

      «Andamos a construir alianças a nível europeu há anos pela habitação, e também com outros continentes, e estamos a ver com entusiasmo este despertar da população europeia, que há muito tempo aceitava que as nossas condições de vida tinham de piorar. Demo-nos conta de que há uma minoria que está a enriquecer e, por isso, há um despertar para dizer que, na verdade, é preciso redistribuir a riqueza», afirmou, em declarações em Madrid à Lusa e à RTP.

      Alicia del Rio defendeu que os acampamentos de protesto pela habitação, como o que está instalado no centro de Madrid, na Porta do Sol, desde 26 de setembro, com mais de mil tendas, foi fundamental, por ser uma “mobilização permanente”, para dar visibilidade e impacto às reivindicações pela habitação.

      O acampamento mantém-se na Porta do Sol, apesar da contestação do governo regional e da autarquia local, que viram rejeitados, por dois tribunais, dois pedidos para que as tendas fossem retiradas da praça.

      Os protestos pela habitação foram mesmo aquilo que precipitou a convocatória de eleições antecipadas em Espanha, anunciadas pelo Governo depois de o parlamento nacional ter rejeitado medidas com que o executivo avançou de forma urgente perante a mobilização nas ruas.

      «A questão é encontrar essa forma de mudar o sentir e haver um ponto de não retorno. Neste caso, foi o acampamento, mas já estamos a preparar a greve geral», disse Alicia del Rio.

      Além do acampamento em Madrid e outras cidades, as organizações da Confederação de Sindicatos de Inquilinos de Espanha considera que foi também fundamental para o movimento de protesto e reivindicação pela habitação a visibilidade do caso de Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos despejada em 23 de setembro, que gerou empatia de forma transversal na sociedade espanhola.

      «Vimos faixas de apoio à Maricarmen em imensos países da Europa, mas também nas Filipinas e em países da América Latina. Suponho que também existam Maricarmens europeias e que cada país tenha os seus próprios símbolos», concluiu Alicia del Rio.

      Fonte: “Notícias Zap”.

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