Os Oficiais de Justiça têm provocado a maior paragem dos tribunais desde sempre. A luta permanente desta classe profissional atingiu patamares inauditos, com prejuízos gerais enormes, igualmente inéditos, seja para os próprios Oficiais de Justiça, que veem como há anos os seus vencimentos são recortados com tantas greves, mas também veem os danos no sistema de justiça, no cidadão e na sociedade; prejuízos que vão demorar alguns bons anos a serem recuperados, caso as greves venham a parar.
Perante este panorama nunca visto, o Ministério da Justiça fala da “inteligência artificial”, e bem, porque nota-se perfeitamente a carência de “inteligência natural”; de uma inteligência ao nível do “senso comum”, não necessariamente do “bom senso”; enfim, uma inteligência meramente normal, que é quanto a todos bastaria.
Neste sentido, vai a seguir reproduzido o artigo da Rádio Renascença (RR) que dá notícia das declarações de Carlos Almeida, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), em que afirma que a justiça está suspensa há quase um ano e que vai ser difícil recuperar os atrasos provocados pelas greves e por problemas como o que aconteceu nesta terça-feira com o apagão do Citius.
Depois de um dia em que o sistema Citius esteve em baixo, obrigando à interrupção do funcionamento dos tribunais em todo o país, Carlos Almeida, Presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça, disse à Rádio Renascença que “até hoje, seja por razão das greves, seja por razão dos sistemas não funcionarem, nós estamos praticamente há um ano com a justiça suspensa”, acrescentando que “não é possível recuperar todos estes atrasos em menos de dois, três anos”.
O presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça acusa a ministra Catarina Sarmento e Castro de fazer investimentos desastrosos no setor, denunciando “uma má gestão dos dinheiros públicos e dos fundos comunitários” dizendo que “a ministra da Justiça vai buscar o dinheiro, mas depois não se veem os investimentos no terreno”.

Carlos Almeida diz ainda que a ministra tem vindo a falar sobre inteligência artificial “sem qualquer sustentabilidade, sem conhecer o que se passa”. Com isso, está a passar uma mensagem que induz em erro, porque ao falar “em inteligência artificial parece que adormece as pessoas, porque há aqui uma mensagem que acaba por passar, de que isto está de tal maneira evoluído, que já estamos a falar em inteligência artificial”.
O líder do Sindicato dos Oficiais de Justiça disse à Renascença que “achamos um pouco estranho que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República tenha abandonado esta área e que se tenha desligado a tal ponto, que hoje em dia não se pronuncia quanto ao funcionamento da justiça”.
Carlos Almeida recorda que Marcelo Rebelo de Sousa iniciou o primeiro seu mandato a “falar da necessidade de um pacto na justiça, mas depois tivemos uma série de processos muito mediáticos, ligados a políticos, ao sistema económico, à banca e o que é certo é que o Senhor Presidente da República abandonou a sua preocupação e passou a considerar outras matérias”.
Este responsável considera ainda que “dizer à justiça o que é da justiça e à política o que é da política, é a forma mais fácil de mantermos um sistema que não garante a independência dos tribunais”.
Nestas declarações à Renascença não há só críticas, Carlos Almeida alogia o ministro das Finanças, dizendo que tem dado “resposta positiva àquilo que o Ministério da Justiça tem sinalizado como preocupação” no setor, lamentando que “o Ministério da Justiça considere que não é necessário mais do que aquilo que tem apresentado” junto das Finanças.”

Fonte: “Renascença RR”.
