Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Querer Passar por Oficial de Justiça

      Volta e meia há notícias de alguém que se fez passar por Oficial de Justiça para convencer outrem a determinada coisa, em proveito próprio, claro está.


      Temos que considerar que a profissão de Oficial de Justiça se presta a este mau uso e engano porque ainda detém alguma credibilidade junto dos cidadãos e, por isso, muitos querem tirar proveito disso, fazendo-se passar por Oficiais de Justiça, porque, assim, podem ter mais êxito nos seus propósitos que, caso contrário, se se apresentassem com a sua verdadeira profissão não teriam.


      Será o caso de um advogado que pretendeu passar por Oficial de Justiça para ser mais credível?


      Esta semana, o Diário de Notícias, noticiava uma acusação deduzida pelo Ministério Público na Comarca de Braga em que acusa um advogado de crimes de burla e falsificação de documentos quando se terá feito passar por um Oficial de Justiça, para favorecer três arguidos que patrocinava.


      Esta notícia tinha por base a nota informativa publicada na página eletrónica da Procuradoria-Geral Distrital do Porto, local onde se lê o seguinte:


      «De acordo com a acusação, o Ministério Público considerou indiciado que o arguido, advogado, no dia 14-04-2015, abordou duas vítimas de um processo comum coletivo, processo em que ele próprio patrocinava três dos arguidos; e que, como estratagema de defesa destes arguidos, identificando-se como Funcionário Judicial, se apresentou junto à residência das aludidas vítimas, em Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso, pedindo-lhes que assinassem um documento em que desistiam da queixa e se declaravam integralmente ressarcidas de todos os prejuízos sofridos, a troco do recebimento de uma quantia correspondente a uma pequena parte do seu prejuízo.


      Mais indiciou o Ministério Público que o arguido, confrontado pelas vítimas com a irrisoriedade da quantia que se propunha entregar-lhes, lhes justificou que os lesados eram muitos e que o dinheiro não chegava para todos.


      Uma das vítimas subscreveu o documento que lhe foi apresentado; outra não.»


      A comprovar-se a acusação, obviamente em sede de julgamento e após sentença transitada em julgado, poderemos considerar que fazer-se passar por Oficial de Justiça, significa que se pode convencer pessoas que, caso contrário, se se apresentasse com a sua verdadeira profissão não convenceria ninguém e, não fosse a questão da pouca indemnização monetária, teria até convencido mesmo todos.


      Deste caso poderemos concluir que há profissões judiciais e judiciárias com mais e menos prestígio e credibilidade na consideração da generalidade dos cidadãos?


      Pode aceder à citada nota informativa da Procuradoria-Geral Distrital do Porto aqui e ao mencionado artigo do Diário de Notícias aqui.


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