Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Quem trabalha com Oficiais de Justiça sabe

      Quem trabalha, no dia-a-dia, com os Oficiais de Justiça, sabe reconhecer o trabalho que desenvolvem, o esforço e as muitas horas que dedicam à profissão, ainda que sem nenhum retorno ou reconhecimento; apenas com o retorno individual da satisfação pessoal de um trabalho bem feito.


      Já quem trabalha no Terreiro do Paço, decidindo a vida e o futuro dos Oficiais de Justiça, desconhece o valor destes desgastados profissionais, embora alguns desses decisores até tenham começado na área da Justiça sendo, precisamente, Oficiais de Justiça.


      Aliás, é nesta profissão que também são cooptados inúmeros Oficiais de Justiça para exercerem tantas e tão diversificadas funções, seja ainda na área da Justiça, seja em qualquer outra área da Administração Pública. E atualmente contam-se cerca de mil nestas circunstâncias (cerca de 13% dos Oficiais de Justiça exercem funções fora dos tribunais e fora dos serviços do Ministério Público).


      Vemos também como nestas eleições autárquicas em curso, tantos Oficiais de Justiça são convidados para integrar listas de candidaturas a todos os órgãos autárquicos, não só as integrando como as encabeçando, com todo o reconhecimento das populações.


      Mas, no Terreiro do Paço, estes valiosos profissionais são meros peões numéricos.


      Vem isto a propósito de um artigo de opinião recentemente publicado (19JUL) no jornal regional diário do Alentejo, sediado em Évora – o Diário do Sul.


      Na página 4 deste Diário, subscrito por um advogado, que, anunciando o fim da sua longa carreira na advocacia, nada mais, nada menos do que 4 décadas de profissão, fez questão de difundir publicamente a sua opinião desses tantos anos de trabalho com Oficiais de Justiça.


      Note-se que o advogado pôs fim à carreira e não mais precisará de se dirigir às secretarias para obter os bons préstimos dos Oficiais de Justiça, pelo que a sua opinião não pretende receber nada em troca, apenas pretende dar, e dar, precisamente no momento em que vai deixar de receber.


      O título: «Na hora do adeus... Reconhecimento e homenagem aos senhores Funcionários Judiciais.»


      E diz assim o artigo subscrito pelo advogado A. Póvoa Velez:


      «Após quarenta anos de advogado está a chegar a hora de abandonar o exercício ativo da profissão e dedicar-me a outras atividades menos exigentes, mas igualmente estimulantes.


      Nesta hora de despedida queria publicamente manifestar a minha homenagem e reconhecimento aos senhores Funcionários Judiciais, peça essencial no funcionamento de todo o sistema de justiça, mas que a justiça tantas vezes ignora e não valoriza.»


      Note-se como bem sabe este advogado de longa carreira, que os Oficiais de Justiça são “peça essencial no funcionamento de todo o sistema de justiça” mas que, pese embora essa essencialidade, são ignorados e desvalorizados pela própria justiça.


      Continuemos:


      «Ao longo destes quarenta anos, deles, dos senhores Funcionários Judiciais, só guardo boas recordações pelo tanto que me ensinaram, pela forma como sempre me atenderam, pela compreensão com que desculparam e ocultaram os meus erros, pela simpatia que sempre me demonstraram e finalmente pela competência, profissionalismo e espírito de sacrifício e de humanidade que sempre revelaram no exercício das suas funções.»


      Parámos aqui a citação apenas para que se possa bem atentar na afirmação final deste parágrafo.


      E conclui a publicação assim:


      «Uma boa parte do sucesso (?) da minha carreira a eles o devo e deles guardarei uma recordação que me acompanhará até ao fim. A todos um grande abraço.»


      Veja abaixo o recorte do artigo do mencionado Diário.


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