O Citius está lento e isso não é novidade nenhuma. Ciclicamente, intercala com fases de maior lentidão; assim se comporta a plataforma, sempre desta forma cíclica, e desde há muitos anos.
O Citius é uma das ferramentas que os Oficiais de Justiça utilizam no seu dia a dia, sendo mesmo a principal, mas é uma ferramenta de trabalho, não uma ferramenta da vida dos Oficiais de Justiça.
Os Oficiais de Justiça entram às 09H00 e saem às 17H00. Durante esse período, os Oficiais de Justiça podem produzir 10 ou 100 atos, tramitar 1 ou 10 processos, tudo de acordo com o estado de funcionamento da plataforma, bem como de outras circunstâncias.
O Oficial de Justiça trabalha com as ferramentas que lhe dão e produz aquilo que lhe é possível produzir.
O Citius é uma ferramenta de trabalho, tal como um martelo o é para um carpinteiro. Um bom martelo permite-lhe pregar 50 pregos por minuto, enquanto que um martelo mal concebido ou descalibrado permitir-lhe-á, ao mesmo carpinteiro, pregar apenas 20 pregos no mesmo minuto.
Tanto numa situação como noutra, isto é, tanto com um bom martelo, como com um mau, o carpinteiro desenvolverá o seu trabalho da melhor forma que puder e não tem de ficar a trabalhar mais horas para conseguir o mesmo número de pregos pregados com a má ferramenta.
Pergunta fulcral: o martelo precisa de um sindicato que o defenda? Que alerte o mundo da qualidade da sua conceção? Ou será a pessoa do carpinteiro que necessita de um sindicato que o defenda enquanto trabalhador?
Produzir mais, ou produzir menos, não é um problema dos Oficiais de Justiça, mas um problema da Administração da Justiça.
Se os Oficiais de Justiça produzem menos por causa da lentidão do Citius não é preocupação que os deva afetar. A responsabilidade dos Oficiais de Justiça começa às 09H00 e termina às 17H00, desempenhando as suas funções, nesse período, o melhor que sabem e o melhor que podem com as ferramentas que lhes são concedidas.
O problema da falta ou da redução da produção por causa do Citius não deve preocupar os Oficiais de Justiça.
O problema da falta ou da redução da produção por causa do Citius só deve preocupar os sindicatos que representam e defendem os Oficiais de Justiça na medida em que devem passar a mensagem aos seus representados de que não se devem enervar com a lentidão da plataforma e que devem manter-se calmos pois não têm culpa nenhuma desse mau funcionamento.
O sindicato do Citius e o sindicato da Administração é que se devem preocupar com o mau funcionamento e a falta de produção, mas não os Oficiais de Justiça.
Os Oficiais de Justiça e seus representantes podem alertar a Administração para o problema, mas já o fizeram e já o fizeram inúmeras vezes, tantas que até já cansa, tal como cansou ver ontem o artigo subscrito pela presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) num jornal de tiragem nacional, preocupada com o estado da produção processual.
Seria adequado que, antes, alertasse os próprios Oficiais de Justiça para a sua falta de responsabilidade e para que se deixem de preocupar e stressar com algo que lhes é completamente alheio.
Sim, acalmar os Oficiais de Justiça é a mensagem adequada a transmitir. É fundamental dizer-lhes que se o Citius está lento devem esperar que lhe passe o amuo, se a ligação webex está péssima, que devem relaxar também porque também isso lhes é alheio. Que se chegam a uma secção judicial onde acabam de ser obrigados a trabalhar, depois de terem trabalhado toda a vida no Ministério Público, e não conseguem, nem sabem, tramitar mais do que um par de processos por dia, que relaxem também, pois a decisão da mudança não foi sua, mas abruptamente imposta, sendo certo que, com o tempo, certamente acabarão por produzir mais, embora, como é óbvio, no imediato não.
É este tipo de mensagem que se pode esperar de uma entidade que defende o trabalho e os trabalhadores Oficiais de Justiça.
É este tipo de preocupação que deve nortear um sindicato: o bem-estar, físico e emocional, do trabalhador e não o do seu martelo.

Fonte: “artigo do Correio da Manhã reproduzido na página do SFJ”.
