Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

PR: “Agora é não deixar parar a causa!”

      A manifestação nacional que decorreu ontem em Lisboa encheu as ruas de trabalhadores do setor público e do setor privado que, empobrecidos, lutam por melhores condições de vida. Mas estas melhores condições de vida que ambicionam os trabalhadores não são nada de especial, são apenas mínimos que lhes permitam sobreviver e chegar ao fim de cada mês, coisa que já não conseguem.

      Desenganem-se os que ainda acreditam nos velhos chavões dos grandes benefícios dos trabalhadores públicos a viver à custa dos trabalhadores do privado. O facto dos trabalhadores públicos poderem manifestar-se mais vezes sem a coação direta do empregador, é algo que beneficia todos os trabalhadores.

      O trabalhador público, à custa dos seus cortes salarias de tantas greves e de tanto sacrifício, vai conquistando aquilo que os trabalhadores do setor privado não conseguem, por medo e por coação dos empregadores, e essas conquistas, uma vez assentes para os trabalhadores públicos, acabam, mais tarde ou mais cedo, por chegar a todos os demais trabalhadores.

      O motor que puxa a qualidade do trabalho e dos trabalhadores em geral, assenta no esforço e sacrifício dos trabalhadores públicos. Não há nenhuma luta entre trabalhadores do setor público com os do setor privado, há apenas uma clivagem entre trabalhadores mal remunerados e trabalhadores muito bem remunerados e esta diferença remuneratória, que chega a ser abismal, existe tanto no setor público como no setor privado, embora no setor privado as diferenças cheguem a níveis pornográficos.

      Ontem, Portugal inteiro assistiu a um mar de gente na rua que se deslocou de diversos pontos do país para demonstrar que os trabalhadores existem e que estão acordados. Nesse mar de gente estava também um muito bom grupo de Oficiais de Justiça, conforme podem apreciar nas imagens abaixo.

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      Também no Funchal se reuniu um bom grupo de Oficiais de Justiça para marcar presença junto do Congresso dos Juízes, onde, entre outros, esteve a ministra da Justiça e o Presidente da República, conforme documentam as imagens que seguem.

      No Funchal, o Presidente da República esteve com o grupo de Oficiais de Justiça, cumprimentou todos, um a um, e disse-lhes que: “Agora é não deixar parar a causa!”. Ou seja, o que o próprio Presidente da República transmite aos Oficiais de Justiça é que não parem; isto é, que continuem a teimar; que sejam teimosos.

      Portanto, depois de mais este incentivo, vindo agora do Presidente de todos os Portugueses, os Oficiais de Justiça não podem mesmo parar esta sua causa; esta sua luta, porque é unanimemente aceite como sendo justa e razoável, aliás conforme disse o presidente da Associação Sindical de Juízes (ASJP), publicamente em pleno congresso, também ontem, à ministra da Justiça, afirmando-lhe que os Oficiais de Justiça “têm razão” e que a ministra deve tratar de resolver o problema com urgência.

      O presidente da ASJP esqueceu-se de esclarecer a ministra da Justiça que para resolver o problema dos Oficiais de Justiça não é deixar à-solta outros elementos governativos subalternos para raivosamente tentarem boicotar as ações sindicais e tentarem desmobilizar os Oficiais de Justiça, mas que resolver quer dizer isso mesmo: resolver, solucionar, e não coartar.

      Prestar esses esclarecimentos à ministra da Justiça é algo essencial, uma vez que esta ainda atual ministra da Justiça não tem a mais mínima noção daquilo que se passa com os Oficiais de Justiça. Aliás, aquilo em que ela acredita é que se trata de uma mera “teimosia” dos Oficiais de Justiça, uma vez que, segundo diz, o processo de revisão do estatuto está a andar e ainda este ano estará aprovado, disse. Como se fosse só isso que interessa aos Oficiais de Justiça.

      À saída do Congresso, António Marçal teve oportunidade de trocar algumas palavras com a ainda atual ministra da Justiça, perguntando-lhe se estaria presente na reunião negocial que vai decorrer já na próxima quinta-feira, 23MAR, no Ministério da Justiça. A ministra explicou que é o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Jorge Costa, que vai continuar a conduzir o processo e rapidamente a conversa resvalou para os motivos da greve.

      «Espero que nessa altura seja possível pôr fim a isto», disse Catarina Sarmento e Castro, sendo que o “isto” se refere à greve.

      António Marçal respondeu que poderia terminar já, desde que fossem cumpridas duas exigências do sindicato, que todos consideram justas. Referia-se ao pagamento do suplemento remuneratório durante 14 meses (em vez dos 11 pagos atualmente) e ao desbloqueamento das promoções.

      A ministra insistiu com a revisão do Estatuto que, disse, está em curso e será concluída este ano, lamentando que os Funcionários tenham avançado para a greve nestas condições, concluindo que “É uma questão de teimosia e a teimosia está a arrasar a Justiça”, disse a própria Catarina Sarmento e Castro.

      E de facto é também uma questão de teimosia, embora não seja apenas uma questão de teimosia, como a isso quer resumir a ministra as reivindicações e as lutas dos Oficiais de Justiça, considerando-os uns meros putos a fazer birra ou uns burros teimosos. Aliás, tal denominada “teimosia” é algo que o próprio Presidente da República diz que deve ser para manter: “Agora, é não deixar parar a causa!”, disse, textualmente, Marcelo Rebelo de Sousa aos Oficiais de Justiça no Funchal.

      Ontem ficamos com a clara impressão de que não há teimosia na ministra da Justiça, há apenas ignorância, porque não quer ser ministra dos Oficiais de Justiça e nada quer saber sobre esta carreira, desconhecendo os motivos das greves.

      Assim sendo, perdeu tempo António Marçal a falar com essa ainda atual ministra, mas não só tempo, também perdeu paciência.

      Está comprovado; esqueçam esta ministra, não existe para os Oficiais de Justiça, não vale a pena perder mais tempo com ela, nem sequer apelar a qualquer tipo de sensatez, porque tal é inalcançável.

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      Fontes, entre outras: “RTP” e “Público”.

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