Hoje é um dia de pausa em toda a atividade política. Um suspiro antes da votação, um dia chamado de reflexão, para que os eleitores possam digerir e decidir tudo o que sucedeu até ontem e possam, com tranquilidade, amanhã, escolher a estrutura política (o partido ou a coligação de partidos) que julguem mais adequada àquilo que nos programas dizem e com os quais mais se identificam, no entanto, com a seguinte chamada de atenção:
Os eleitores que forem votar amanhã domingo, dia 10MAR, decidirão por si próprios e também pelos que não forem votar ou por aqueles que votarem em branco e mesmo por aqueles que, propositadamente, anularem o voto.
Quer isto dizer que, seja qual for o número de votantes, de abstencionistas, de votos brancos ou nulos, serão sempre os votos válidos, e apenas estes, os que decidirão a composição da nova Assembleia da República, isto é, serão os votantes de facto que elegerão os 230 deputados que representarão todos os portugueses, mesmo os que não querem saber disto para nada e escolhem outras atitudes perante a votação.
Que fique bem claro: os 230 deputados serão amanhã eleitos pelos votos válidos, nada valendo e nada decidindo os votos brancos ou nulos, tal como nada decidem aqueles que não vão às urnas.
Há quem tenha ideias, ou sonhos, de que os votos brancos têm algum significado e um dia serão considerados, enquanto outros têm a paranoia de que os boletins brancos acabam preenchidos e, por isso, os anulam, com preenchimentos díspares e disparatados, havendo também outros que fazem questão de afirmar a sua postura de não querer saber disto para nada e de não querer alimentar políticos. Tudo isto é um engano, porque os políticos serão mesmo elegidos e irão representar e decidir por quem vota em branco, por quem anula propositadamente o boletim e decidirão também pelos que não vão votar, isto é, decidirão a vida daqueles que não querem que eles decidam a sua vida.
Deter um governo para 4 anos, com decisões que aportarão implicações nas nossas vidas e nas dos nossos, parece ser coisa muito séria para deixar tal decisão em mãos alheias e parece mesmo ser uma postura irresponsável quando essa decisão afeta o nosso agregado familiar onde existem menores dependentes que ainda não podem decidir por eles próprios.
Caso vivêssemos num mundo ideal em que os governos apenas se limitassem à mera gestão corrente do dia a dia das pessoas, poderia não haver especial necessidade de acorrer a escolher os governos, porque todos seriam iguais. No entanto, não vivemos num mundo perfeito e, muito menos, ideal, pelo que as nossas escolhas são fulcrais para o futuro de todos e de cada um, tendo também todos e cada um a enorme responsabilidade de contribuir para a sobrevivência deste sistema democrático que, apesar de não ser perfeito nem o ideal, é, ainda assim, o melhor que temos e tem uma particularidade: pode ser melhorado com o contributo de quem o quiser melhorar.
Amanhã serão efetivamente eleitos os 230 deputados que compõem a Assembleia da República e os partidos ou coligações que reúnam o maior número de deputados, por si ou com acordos, formarão um governo para (em princípio) os próximos quatro anos.
Em cada circunscrição eleitoral (distrito) os eleitores desse círculo eleitoral elegem os candidatos das listas desses distritos e tão só dessas circunscrições.
Apesar dos eleitores verem por todo o país e na televisão os representantes principais dos vários partidos, serão poucos, muito poucos, a votar realmente neles, uma vez que só os eleitores dos círculos pelos quais eles se candidatam poderão votar nesses e não o resto do país.
É verdade que nos cartazes são anunciados os líderes de cada partido e, às vezes, ao lado de um candidato local, mas o voto vai apenas e tão-só para o candidato político local, porque não há votos nacionais, mas distritais.
Por exemplo: o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, concorre por Aveiro, pelo que só os residentes no distrito de Aveiro podem votar nele, todos os demais, por mais que votem no PS, nunca votarão nele, votarão noutros, nos candidatos do seu próprio distrito.
Quer isto dizer que quando se vota num determinado partido ou coligação, o eleitor está a votar nos candidatos que esse partido apresentou nesse distrito e não a nível nacional e, muito menos, nos mediáticos representantes dos partidos e candidatos ao cargo de primeiro-ministro, uma vez que esses são candidatos normais por um distrito qualquer e concreto e só podem ser eleitos por esse e apenas por esse distrito.
Estas eleições destinam-se a eleger os 230 deputados da Assembleia da República e não, propriamente e diretamente, um primeiro-ministro. O primeiro-ministro será escolhido depois, mesmo que seja de um partido com menor número de votos, tal como já aconteceu, por reunir o apoio maioritário de outros partidos, quando não atinjam a maioria de deputados, isto é, metade mais um, ou seja: um total de 116 deputados.
Aqui deixados estes esclarecimentos, que muitos ainda desconhecem, apesar dos 50 anos de democracia que no próximo mês comemoraremos, impõe-se recordar a imprescindível necessidade de votar, especialmente neste ano dos 50 anos redondos, uma vez que é inadmissível que, podendo agora fazê-lo não o façam cerca de metade dos eleitores; nada mais, nada menos, do que metade dos eleitores; uma enormidade!

Quer saber ou confirmar onde é que vai votar? Envie um SMS (gratuito) para o número 3838 com a seguinte mensagem: RE (Espaço) (Nº.CC) (Espaço) (Data Nascimento no formato AAAAMMDD) e receberá a resposta de seguida. Por exemplo: alguém com o cartão de cidadão nº. 123456789, nascido em 25-04-1974, enviaria a seguinte mensagem:
RE 123456789 19740425
