Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Porque os Oficiais de Justiça não vivem num mundo à parte, embora às vezes pareça mesmo que sim

      Tal como fizemos na primeira volta das eleições, fica hoje aqui expressa de novo, em véspera do dia de reflexão, a nossa posição antifascista e de permanente combate a qualquer tendência obtusa que corresponda a um retrocesso civilizacional e que fira a inteligência alcançada pela Humanidade, com tanto esforço ao longo dos séculos, afundando-a num novo período de trevas, isto é, de simples e espantosa maravilhosa burrice.


      Hoje, queremos apresentar uma diferente perspetiva sobre a votação em segundo sufrágio do próximo domingo.


      Haverá muitos que não quererão ir votar, outros que votarão em branco e outros ainda que anularão propositadamente o boletim de voto.


      Qualquer uma das três opções – abstenção, voto em branco ou voto nulo – resultarão em votos indiretos no candidato André Ventura e, consequentemente, na agremiação denominada “Chega”, aumentando a sua percentagem de votação, ainda que não propriamente o número de votos, mas a relatividade da votação.


      Toda a postura que não seja um voto efetivamente expresso no único candidato da Democracia, na única hipótese que resta, por ora, à sobrevivência deste sistema democrático que nos trouxe até aqui, será uma postura equivalente a um voto nas trevas; dando-lhes vantagem na prossecução da destruição que têm em curso.


      Apoiado num mar de falsidades e num discurso básico repetitivo, que faz com que qualquer mentira possa, para os mais incautos, chegar a parecer verdade, à custa de tanto bater-no-ceguinho, discurso que em tempos muitos apelidavam de “cassete”, em relação a outros; desta forma o candidato do retrocesso civilizacional já convenceu e roubou eleitorado a todos, como o do PC, do BE e do PS, deixando-os em serviços mínimos nunca vistos, estando agora o foco voltado para o que ainda resta da Democracia à Direita, plantando instabilidade em relação ao governo da AD, a Direita histórica que o chefe do gangue já vai dizendo que é toda sua e que a lidera.


      Não é estranho ver como inúmeras personalidades e dirigentes políticos, atuais ou históricos, de todas as tendências políticas, da Esquerda à Direita, mesmo aqueles que se mantinham mais recatados, se assumiram publicamente como votantes em António José Seguro enquanto único candidato que pode permitir que a Democracia se continue a cumprir.


      Quem diz que não consegue votar num “socialista”, está claramente alimentado pela influência do discurso do Ventura, porque António José Seguro não se encaixa nessa figura, basta, por exemplo, recordar a sua atitude de sustentação do governo de Passos Coelho com Paulo Portas durante a Troika.


      Não se trata de votar num alegado socialismo papão, nem sequer votar na Esquerda; hoje, o que está verdadeiramente em causa é votar na moderação democrática ou no radicalismo de uma Direita; é a escolha entre radicais e moderados; é estar de um lado ou de outro da barricada; é manter-se acocorado dentro da trincheira ou sair para lutar.


      Quem quiser continuar a teimar na alegação de que nunca votou num “socialista” ou que quer dar uma chapada ao sistema, ou a este ou àquele em concreto, pela mudança, deverá ter bem presente que a dita mudança deve ocorrer dentro dos parâmetros da Democracia e do Estado de Direito e não nos parâmetros de uma auto-alegada maioria que tudo quer poder fazer, mesmo desrespeitando a lei, justificando tudo simplesmente com a alegação de que já são muitos, como se fossem todos, e, assim, se sentirem todo-poderosos.


      No próximo domingo é necessário que cada um de nós vote nesta necessidade premente de construção das barreiras de contenção da evolução da tenebrosidade daquele grupo.


      Como sempre, muitos considerarão que este apelo nesta página nada tem a ver com os Oficiais de Justiça, mas enganam-se. Desde logo, antes de mais, porque os Oficiais de Justiça não vivem num mundo à parte (embora às vezes até pareça mesmo) e, por outro lado, porque tem demorado muitos anos e tem dado muito trabalho conquistar para os Oficiais de Justiça mais liberdade de pensamento, de opinião e de expressão, para deitar tudo a perder com conceitos bloqueados de irracionalismo, de pura barbárie e incivilidade.


      Ainda este fim de semana, se possível já amanhã, tentaremos abordar um tema muito pertinente, e que afeta muitos eleitores portugueses, desde logo os seguidores da tal agremiação fascizante, trata-se de um tema de saúde mental, às vezes confundida com esquizofrenia, mas que não o é e que é a doença da Perturbação Delirante Persistente.


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