Com o título de “Os tribunais e o apagão”, subscreveu António Marçal mais um artigo no Correio da Manhã da semana passada.
Refere Marçal que “É urgente refletir sobre o que se passou a 28 de abril” e salta de imediato do apagão para fazer uma comparação com a pandemia Covid19:
«Já durante a pandemia ficou claro que os serviços de justiça integram o grupo dos serviços essenciais e, como tal, exigem medidas especiais em cenários de crise. No entanto, parece que pouco aprendemos. Cinco anos depois, voltamos a ver tribunais sem liderança visível, sem estruturas de gestão capazes de ativar planos de contingência, inexistentes ao que sabemos, minimamente eficazes – planos esses que nem exigem grande investimento, mas que evitariam a paralisação e a falta de orientação.»
Diz também o atual e ainda presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) que continua a lutar:
«Continuamos a lutar por uma resposta organizada e não meramente reativa.»
Ou seja, o presidente do sindicato mais antigo e com mais associados Oficiais de Justiça não considera como correto que as ações sejam “meramente reativas”.
Como é óbvio, nem ele, nem ninguém, considera que as atitudes fiquem limitadas a meras reações aos acontecimentos, isto é, a meras reações posteriores aos acontecimentos, sejam eles quais forem, desde logo quando se percebe, tarde e “a posteriori”, que as coisas correram mal e estão mal.
O artigo conclui com a afirmação de que «A justiça não pode parar sempre que há uma crise».
E tem toda a razão Marçal, pois o que quer dizer é que as crises devem ser evitadas e, para isso, não se podem fazer planos, ter ideias, estabelecer pactos, acordos, combinações, ou seja lá o que for, à pressa, de costas voltadas para todos, ou quase todos, isto é, não se podem criar crises, nem mesmo quando estamos já com um pé de fora.
Da mesma forma que houve pessoas afetadas por aquilo que se designou de “Covid Longa”, também na área da justiça ainda há quem sofra de um “Apagão Longo”.

Fonte: “artigo publicado no Correio da Manhã e reproduzido na página do Facebook do SFJ”.
