Para resolver os problemas dos trabalhadores será necessário que estes estejam inseridos em estruturas sindicais com cerca de 40 anos de existência e estas inseridas noutras estruturas maiores que abarquem todo o país e ainda outros trabalhadores?
A esta pergunta, responder-se-á com os recentes acontecimentos relacionados com os camionistas, a greve que secou os postos de abastecimento de combustível e o seu sindicato apelidado de “bebé”.
O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) nasceu há meia-dúzia de meses e, por isso, foi apelidado de “sindicato bebé”. Sindicato independente que não pertence a nenhuma estrutura organizativa sindical e com cerca de 600 filiados que pagam à volta de 6 euros por mês.
Este sindicato conseguiu a adesão de todos os trabalhadores a esta sua primeira greve que paralisou a sua atividade e, por isso, quase todo o país, alcançando, em negociações, os seus objetivos e as suas reivindicações (ainda que a prazo).
Este caso merece reflexão.
Uma iniciativa de camionistas que começaram por se associar, na forma de uma associação, que no final do ano passado se transformou em sindicato, levou a cabo esta iniciativa de luta com este resultado, deixando pasmados os demais sindicatos super estruturados e com anos e décadas de existência.
Este caso merece reflexão e merece reflexão pelos Oficiais de Justiça.
Como se sabe, as estruturas sindicais representativas dos Oficiais de Justiça não têm conseguido solucionar, ou sequer aproximar-se, das muitas reivindicações dos Oficiais de Justiça.
Ainda este último domingo (14ABR) aqui abordávamos a greve ao trabalho fora-de-horas decretada em 1994, isto é, há 25 anos.
Será possível comparar a greve dos Oficiais de Justiça com 25 anos com a greve dos camionistas com apenas alguns dias; mais concretamente três; isto é, nem uma semana de greve?
É cada vez mais claro para os Oficiais de Justiça que a situação carece de uma profunda reflexão e de uma profunda remodelação e de uma profunda nova e contundente ação.
Este sindicato bebé (SNMMP) tem por dirigente Pedro Pardal Henriques que nem sequer é camionista, tem outra profissão, mas tem interesse na profissão por o seu pai ter sido camionista e o seu irmão ainda o ser.
Pedro Pardal disse que esta greve serviu para chamar a atenção para os problemas que a classe profissional de motoristas de materiais perigosas enfrenta. “Em três dias o país parou, entrou no estado de calamidade, não era essa a nossa intenção, manifestámo-nos sempre de forma pacífica”, começou por dizer, acrescentando: “A paralisação é feita em última instância. Mas isto serviu para alertar a importância que estes homens têm, sem eles o país para. O país não os reconhecia, mas a partir de hoje todas as pessoas vão saber o que é um motorista de matérias perigosas que trabalham 15 ou 18 horas por dia para que não falte nada na casa dos portugueses”, afirmou.
Ora, é precisamente este mesmo tipo de visibilidade e respeito que os Oficiais de Justiça carecem e que, enquanto não tiverem, enquanto não forem reconhecidos e respeitados como elementos fulcrais no funcionamento da justiça, nada conseguirão.

