«Sempre que ouço falar em reformas estruturais, tremo que nem varas verdes e qualquer pessoa com dois dedos de testa, que é precisamente o que por aqui não abunda, percebe porquê.
Mas eu vou explicar como se o leitor fosse muito burro. Imagine uma corrida entre um burro e um carro de Fórmula 1 numa pista de alta velocidade. Quem acha que ganhava a corrida?
A resposta correta é só uma: depende do condutor.
Sendo certo que os portugueses, na sua maioria, conseguiam chegar ao fim montados no burro mas não conseguiam sequer arrancar com o carro de Fórmula 1.

Ora, as nossas repartições públicas, tribunais, escolas, empresas, etc. estão cheias de gente que só tem formação e capacidade para andar de burro.
Se queremos empresas competitivas, uma justiça célere e justa, serviços públicos eficientes, uma escola competente e exigente e partidos que não promovam nem premeiem o chico-espertismo, ou seja, se queremos dotar a sociedade portuguesa de verdadeiros “Fórmula 1” para competir ao mais alto nível, comecemos, então, pela seleção e pela formação dos condutores, antes de lhe pormos o carro nas mãos.»
Fonte: transcrição do artigo de opinião do advogado Santana-Maia Leonardo publicado no jornal “Diário as Beiras”.

A verdade generalística da opinião é isso mesmo: generalística; tal como generalística é a opinião de que os advogados nem sequer sabem montar o burro e têm que estar todo o tempo a ser empurrados para subir e para o pôr a andar.
Nos tribunais, ainda há Oficiais de Justiça que, diariamente, telefonam e perdem imenso tempo a esclarecer os advogados, explicando-lhes tudo e mais alguma coisa de forma a não prejudicar aqueles que representam ou defendem mas é certo que também há muitos Oficiais de Justiça que já se deixaram disso, por cansaço, por verem que é classe profissional que não consegue conduzir, seja carro, burro ou o que for. Há gente que só tem capacidade para andar a pé e, mesmo assim, são atropelados.

