Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Operação Oráculo da PJ detém Oficial de Justiça

      Foi ontem notícia divulgada pela comunicação social a detenção de uma Oficial de Justiça de 28 anos, detida pela Polícia Judiciária, por divulgar informações de processos judiciais, dados pessoais de cidadãos, imagens de vítimas de criminalidade violenta e peças processuais extraídas dos processos a que acedia colocando todos os dados na plataforma comunicacional americana “Discord”.

      A Oficial de Justiça é suspeita da prática dos crimes de abuso de poder, violação de segredo por funcionário, violação de segredo de justiça, acesso ilegítimo, acesso indevido e desvio de dados.

      A comunicação social atribui à Oficial de Justiça a extinta categoria de Técnica de Justiça Auxiliar, sendo suspeita de ter acedido de forma indevida a bases de dados institucionais e sistemas de informação restritos da Justiça para consultar e divulgar, de forma reiterada, informação pessoal e processual de natureza reservada.

      Segundo a Polícia Judiciária (PJ), a investigação teve início em outubro de 2025, após uma denúncia anónima remetida ao Ministério Público. A PJ terá apurado que a suspeita utilizava a plataforma Discord para partilhar informação confidencial em servidores privados, onde operava sob o nome de utilizador "Incognita".

      A investigação, levada a cabo pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, que incluíram mecanismos de cooperação judiciária internacional, permitiu intercetar acessos realizados a partir de equipamentos informáticos de um tribunal judicial, bem como de outras ligações e moradas associadas à suspeita, onde foram efetuadas buscas.

      De acordo com a PJ, a análise dos elementos recolhidos, incluindo a identificação do equipamento móvel utilizado e a correspondência entre os locais de acesso e o percurso profissional da Oficial de Justiça, reforçou os indícios da prática dos crimes investigados.

      Não é esta a primeira vez que são identificados Oficiais de Justiça que realizam acessos indevidos às plataformas que estão à sua disposição para efeitos de trabalho, sem que tenham motivo legal para os acessos. De igual forma, também não é a primeira vez que é detetada a divulgação ilícita de dados processuais e de registos das plataformas de apoio à justiça. E também não é a primeira vez que aqui damos notícia disto, nem a primeira vez que deixamos alertas sobre tal atitude dos Oficiais de Justiça.

      A consulta e o acesso, mesmo que por coisas banais ou por mera curiosidade não é permitido e não é permitido nunca, nem sequer consultar a matrícula da viatura que está mal estacionada no parque do tribunal ou que está à venda, por exemplo. Nada e nunca. Todo e qualquer acesso tem de ter sempre uma sustentação processual, tal como as pesquisas de processos e consultas dos mesmos.

      Todos os atos realizados pelos Oficiais de Justiça, desde a entrada nas plataformas ou a entrada num processo, ficam registadas com nome, data e hora, identificando quem acedeu, bem como registando outras informações, pelo que ninguém, absolutamente ninguém, está imune a tal controlo.

      Para além dos acessos indevidos, ao Citius, ao TMenu e outras plataformas, é igualmente indevida, como é óbvio, toda e qualquer divulgação de informação, seja nas redes sociais ou comunicacionais, ainda que em grupos de acesso restrito, seja mesmo por simples divulgação oral.

      Note-se bem que não estamos a realizar qualquer tipo de apreciação ou juízo sobre o caso, apenas estamos a reproduzir o conteúdo das notícias, como podem verificar abaixo nas fontes indicadas, aproveitando a notícia para alertar os Oficiais de Justiça para situações semelhantes e para a eventualidade de alguém não estar ainda bem ciente sobre estes aspetos.

      Fontes: “Correio da Manhã” e de “Jornal de Notícias”.

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