Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

O risco de viver

      Publicou ontem o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), na sua página na Internet, mais uma nota de pesar pelo falecimento de mais um Oficial de Justiça que exerceu funções sindicais naquele Sindicato.


      Tal como já aqui publicamos, por diversas vezes, outras notas deste género, resolvemos hoje voltar a destacar este assunto e este caso em concreto, não só porque obtivemos mais informações sobre o Oficial de Justiça falecido, mas, principalmente, porque queremos transmitir a todos a fragilidade da nossa vida, com o exemplo daquela ora finda, e a desnecessidade e a grande perda de tempo em ataques e contra-ataques fratricidas, como os que diariamente se podem ler nas redes sociais e também nos comentários aos nossos artigos diários.


      O Rui faleceu a cerca de uma semana de festejar os seus 53 anos. Não padecia de nenhuma doença, deitou-se a dormir e foi encontrado pela filha na manhã do dia seguinte porque não desligava o despertador e não se levantava.


      Assim, de repente, sem qualquer aviso prévio, sem ter oportunidade de fazer ou resolver o que quer que fosse. E isto pode acontecer a todo o momento a todos nós, porque, convençam-se, ninguém vai viver para sempre.


      O Rui entrou para os tribunais no longínquo ano de 1999. Residia no norte, mas foi logo colocado em Lisboa, como tantos, ali ficando deslocado, até que, num dos três movimentos anuais ordinários que então existiam, conseguiu voltar ao norte, não ainda para a sua terra de origem, mas bem mais perto.


      De Lisboa foi para Póvoa de Varzim, depois para Barcelos e, por fim, cerca de 15 anos depois, chegou à sua terra de origem, onde viveu até esta semana.


      Ao longo destes longos 27 anos, nunca conseguiu mudar de categoria, sempre foi Escrivão Auxiliar, até que, no ano passado, passou a ser a mesma coisa, mas com outro nome: Técnico de Justiça.


      Esta é a sua vida profissional sintetizada ao máximo, mas, nessa sua vida profissional, este Oficial de Justiça era também uma pessoa que se relacionava com todos de forma sempre amigável e generosa.


      Todos nos garantiram que o Rui seria incapaz de insultar, maltratar ou desprezar qualquer colega, ou qualquer pessoa, mesmo sob o eventual anonimato dos comentários, tal era a sua integridade moral, e é isto que deve servir-nos de farol no nosso dia a dia e não aquilo que vemos pulular na Internet em que cada um tenta ter mais razão do que o outro e também ser melhor na refinada arte digital do insulto.


      Sejamos justos, neste mundo da justiça tão cheia de injustiças. Sejamos mais atentos ao companheiro de percurso da vida, privada ou profissional, sejamos mais completos, sábios e serenos; vivamos mais!


      Obrigado Rui!


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      Fontes: “SFJ-NotaPesar” e “Página da Comarca de Viana do Castelo”.

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