À falta de informações sindicais sobre o conteúdo da última reunião dos sindicatos (SFJ e SOJ) com o Governo, ocorrida na passada sexta-feira, 25SET, fez o Governo publicar, ontem ao final da tarde, nas redes sociais, uma informação que diz assim:
«Na reunião, foram discutidas matérias relativas ao Estatuto dos Funcionários de Justiça.»
Uau!
Vejam bem: “foram discutidas matérias relativas ao Estatuto”; quem diria!?
Também ficamos a saber que a reunião decorreu no “Salão Nobre do Ministério da Justiça”.
Também ficamos a saber que os elementos principais do Governo eram dois: o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Gonçalo da Cunha Pires, e a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido.
Na publicação replicada nas redes sociais do Ministério da Justiça pode ler-se ainda que essa “reunião dá continuidade ao trabalho de valorização da carreira de Oficial de Justiça” e passa a elencar 4 destacados aspetos dessa valorização da carreira:
«Carreira simplificada; Integração do suplemento de recuperação processual na remuneração base; Novo suplemento de disponibilidade, de 180 € mensais em 2026; Novas regras de ingresso, de acesso à categoria de escrivão e de preenchimento dos cargos de chefia, publicadas a 9 de setembro (Decreto-Lei n.º 181/2026).»
A nota informativa para as redes sociais do Governo termina assim:
«O diálogo com os representantes dos trabalhadores continuará a ser essencial para construir, em conjunto, uma carreira de Oficial de Justiça mais valorizada e uma Justiça mais forte ao serviço dos cidadãos.»
E é isto.
Uma mensagem que nada de novo aporta aos Oficiais de Justiça, porque nada de novo diz, sendo uma mensagem que constitui mera propaganda, mas que, ainda assim, é mais do que o nada que os sindicatos informaram sobre a mesma reunião. Ou seja, este nada do Governo é um nada maior do que o nada de nada dos sindicatos.
E questionamo-nos: por que é que o Governo sentiu necessidade de vir anunciar este nada? E por que é que os sindicatos têm tanta dificuldade e demora em vir relatar o que sucedeu na mesma reunião? No mínimo, sempre poderiam dizer, como diz o Governo, que “foram discutidas matérias relativas ao Estatuto”, porque sempre seria uma nada de nada, mas verdadeiro.
Ainda ontem, no artigo aqui publicado, anunciávamos a inevitabilidade dos sindicatos abandonarem o conforto das cadeiras da mesa negocial do salão nobre do Ministério da Justiça, para saírem para o desconforto da luta fora dos gabinetes governamentais e é este mesmo anúncio que hoje se reitera, já não como uma possibilidade a curto prazo, mas como uma inevitabilidade imediata.
Fonte: “Ministério da Justiça”.


