Ontem cumpriu-se o penúltimo dia de greve de 24 horas dos Oficias de Justiça; o quarto dia dos cinco decretados.
Os níveis de adesão à greve nacional mantiveram-se, neste dia, em níveis muito relevantes embora a percentagem tenha diminuído. De todos modos, houve tribunais completamente encerrados.
Pese embora esta esforçada adesão, ontem fomos assistindo às notícias na televisão que mencionavam diligências judiciais e judiciárias em curso relativas a vários assuntos a que a comunicação social vem dando atenção e em nenhuma das notícias foi dito que determinada diligência judicial ou judiciária deixou de ser efetuada pela greve dos Oficiais de Justiça.
É uma pena que se tenha perdido esta oportunidade de fazer eco na comunicação social. É uma pena que os Oficiais de Justiça que detêm em mãos estes processos mais mediáticos não aproveitem estes momentos e estas circunstâncias para dar relevo à luta que se vem desenvolvendo. É uma pena que os sindicatos, especialmente o sindicato convocante desta greve, não tenha elucidado e combinado com os concretos Oficiais de Justiça.
Faria toda a diferença se os noticiários das televisões abrissem com a notícia das consequências da greve dos Oficiais e Justiça. É necessário compreender que há Oficiais de Justiça que, por força das suas funções, detêm maior capacidade de impacto na comunicação social do que outros e, por isso, os sindicatos, nestes casos, deveriam realizar um trabalho suplementar mais específico e direcionado a esses Oficiais de Justiça, pois apenas com esses, os resultados da greve poderiam ser muito mais mediáticos e, consequentemente, muito mais efetivos.
Infelizmente, as notícias do dia de ontem em relação à greve foram muito fracas e muito mais fracas do que aquelas que vinham ocorrendo. As concentrações das duas cidades sedes e capitais das regiões autónomas foram muito fracas, com um nível de participação muito diminuto em relação ao que vinha ocorrendo no continente nos dias anteriores.
A greve de ontem, se manteve alguma relevância mediática foi pelas concentrações no continente mas não nas regiões autónomas como estava previsto.
Na RTP, assistimos à reportagem realizada em Almada, sem destaque algum para o Funchal e para Ponta Delgada, como estava previsto e era espectável.
Em Almada, ouvimos as declarações da Oficial de Justiça Diana Lima, que é de Viana do Castelo e ali está colocada, longe da sua residência, no Tribunal de Almada, dizendo que «O ordenado que recebemos, para além do que nos querem cortar agora, já não é muito, então com os cortes será ainda pior, tenho que pagar alojamento, tenho as minhas despesas, se não fosse a ajuda dos meus pais e a ajuda de toda a gente, ia ser uma situação complicada.»
Ou seja, estas declarações, representam a realidade crua dos Oficias de Justiça na atualidade: longe de casa e necessitados da ajuda dos familiares para as suas despesas, uma vez que o vencimento já não é o que era e, atualmente, não permite uma vida autónoma sem dependência.
Isto é grave, aliás, é muito grave; quando temos profissionais da justiça a laborar com vencimentos baixos, tão baixos que carecem de ajuda de terceiros para poderem gerir o seu dia-a-dia; imagine-se a quantidade de problemas que daqui podem advir.
Perante um panorama destes, de deflação dos vencimentos dos Oficiais de Justiça, a par de um panorama em que outros, na mesma área profissional, obtêm ganhos exorbitantes e únicos a nível de todas as carreiras da função pública deste país, é espantoso como ainda há Oficiais de Justiça que não aderem às greves nem às concentrações.
A continuar assim, sem a adesão massiva que se justifica, as greves são desnecessárias, porquanto são inefetivas, e, assim, os Oficiais de Justiça têm que parar de se queixar e de reivindicar o que quer que seja, pois quando chega a hora de protestar, abstêm-se. Como diz o povo, e com razão, “cada um tem aquilo que merece”.
Pode aceder à reportagem da RTP e às declarações aqui citadas através da seguinte hiperligação: “RTP”.

