Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

O Pesadelo e os Oráculos

      De todos os piores pesadelos de que os Oficiais de Justiça vêm padecendo, o pior de todos é aquele em que o primeiro-ministro finalmente nos livra da ministra da Justiça, ou como é conhecida pelos Oficiais de Justiça: ministra das magistraturas, o que provoca algum alívio, mas, logo de seguida, e aqui entra o pesadelo em si, nomeia para o cargo o atual secretário de Estado adjunto e da Justiça.


      O oráculo semanal da televisão é, sem dúvida alguma, Marques Mendes e este oráculo profetizava há dias a muito badalada remodelação governamental.


      De acordo com Marques Mendes, Cabrita, Van Dunem, Graça Fonseca e Manuel Heitor estarão de saída, asseverando que Tiago Brandão Rodrigues, Marta Temido, Ana Mendes Godinho, Pedro Nuno Santos e Alexandra Leitão não deverão fazer parte da lista dos que estão de saída, segundo disse o comentador político.


      Marques Mendes garante que o atual grande desafio para António Costa é a remodelação do Executivo.


      «Aqui tem as minhas previsões para uma remodelação, que pode acontecer em agosto, em setembro ou outubro.»


      Também nós aqui já fizemos as nossas apostas e apontamos a ministra da Justiça de saída aquando dessa remodelação mas só depois das eleições autárquicas, portanto, abandonamos a aposta tripla de Marques Mendes nos três meses que indica e apostamos tudo no mês de outubro.


      Para os Oficiais de Justiça, a saída da atual ministra da Justiça e de todo o seu gabinete, sem esquecer o secretário de Estado adjunto e da Justiça seria a concretização de um sonho feliz e seria a concretização de uma justiça que tarda em acontecer e que todos anseiam.


      Não quer isto dizer que, depois da saída, tudo seriam rosas e passarinhos coloridos chilreantes, mas seria feita justiça, porque desde 2015 que estes elementos governamentais, encabeçados pela mesma ministra da Justiça, não têm produzido qualquer valor positivo para os Oficiais de Justiça, bem pelo contrário.


      Ano após ano, os Oficiais de Justiça só perderam. Perderam atribuições na carreira e perderam imenso vencimento, não só pelas inúmeras greves como pela deterioração geral, do vencimento e do exercício da profissão.


      Ano após ano, realizaram-se as ações mais impressionantes e imaginativas. Nos últimos anos, os Oficiais de Justiça, da mão dos seus sindicatos, realizaram ações nunca antes vistas, imaginativas, e muitas.


      Os Oficiais de Justiça perderam muito dinheiro nessas lutas e nunca ganharam nenhuma embora sempre tivessem contado com a “palavra amiga” da ministra da Justiça que sempre disse que sim, que os Oficiais de Justiça tinham razão e mais isto e aquilo e que estava quase. Recentemente veio até o próprio primeiro-ministro dizer que o estatuto estava em circuito legislativo, pese embora as vicissitudes, e, apesar do parto difícil, lá acabamos a assistir a um nado-morto; a um aborto de projeto de Estatuto.


      A 15 de setembro próximo, pelas 14H30, reunir-se-ão os sindicatos com o Governo para análise do dito projeto, sobre o qual tentarão os elementos demissionários do Governo realizar manobras de ressuscitamento, logo quando estão a cerca de um mês de deixar os cargos; em outubro; o que se prevê e também coincide com a futurologia do oráculo televisivo.


      Far-se-á justiça com a remodelação, sem dúvida alguma, porque o afastamento destes elementos já tarda, mas nada mais.


      Desta remodelação ficará a satisfação e o doce sabor no palato que substituirá o amargo de boca que vem restando, mas tal ocorrência servirá também para embrenhar os Oficiais de Justiça num novo período de trevas: mais uma suspensão das reuniões para os novos elementos se inteirarem de que vai a coisa, a análise da coisa e a apresentação de uma coisa nova. Nada que não demore mais um par de anos, mantendo tudo como está, com exceção – e aqui entra mais uma previsão – da integração do suplemento no vencimento e pagamento nas 14 prestações anuais do vencimento. Isto, sim, vai acontecer primeiro, estamos convictos, porque desta vez já não haverá período de tolerância, de estado de graça. E por falar em “graça”, num outro sentido, como bem se vê, de graça (sem seu estado) é o estado do trabalho excedentário diário e volátil que realizam os Oficiais de Justiça.



      Fonte: “Observador”.

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