Os Oficiais de Justiça não são ferroviários, apesar de usarem no seu dia a dia os comboios e alguns desde há tantos anos e tantas horas por dia que bem se poderiam equiparar a pessoal ferroviário.
Os Oficiais de Justiça foram surpreendidos com uma nova greve da CP, a começar na passada sexta-feira, 28JUN, e para durar até 14JUL.
Os Oficiais de Justiça ficaram novamente surpreendidos quando, no mesmo dia, isto é, no primeiro dia de greve, na sexta-feira 28JUN, ao final do dia, o sindicato dos maquinistas anunciou a suspensão da greve com efeitos imediatos. Tudo isto no primeiro dia!
O Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), que havia convocado a greve, chegou a acordo com a CP e comunicou formalmente a suspensão da greve.
As negociações entre a CP e o SMAQ, mediadas pela secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, permitiram “chegar a um acordo sobre várias matérias laborais, nomeadamente aumentos dos salários e do subsídio de refeição, beneficiando todos os trabalhadores da empresa”, lê-se no comunicado do Governo.
Já a CP, também em comunicado, relatou que as partes chegaram “a um acordo quanto ao regulamento de carreiras”, sublinhando que o SMAQ se comprometeu a terminar com a greve com efeitos imediatos.
«O acordo agora alcançado é extensível a todas as categorias profissionais da CP, garantindo que todas as áreas da empresa beneficiem das melhorias acordadas. Gostaríamos de expressar o nosso agradecimento ao SMAQ pela postura de diálogo e entendimento demonstrada ao longo das negociações. A cooperação e a abertura ao diálogo foram fundamentais para alcançar este consenso, que promove o bem-estar dos trabalhadores e a eficiência da CP», lê-se no comunicado da CP.
O secretário-geral da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), José Manuel Oliveira, afirmou à agência Lusa que a greve “paralisou praticamente a empresa em todos os setores de atividade”.
José Manuel Oliveira já tinha adiantado que o que estava em causa eram salários de entrada baixos, “Muito próximos do salário mínimo nacional”, bem como uma diferença reduzida entre a base e o topo da carreira para os trabalhadores da CP, que ronda os 100 euros. Em consequência, conforme apontou, a empresa tem cada vez menos trabalhadores, apesar de o número de passageiros e o lucro terem aumentado.
Esta página não se destina a dar notícias sobre as carreiras do pessoal ferroviário, mas esta greve dos maquinistas e a prontidão com que foi resolvida serve para mostrar e demonstrar aos Oficiais de Justiça que é possível resolver as reivindicações dos trabalhadores de forma célere e satisfatória, sem necessidade de saltitar de reunião em reunião, como se se fosse conseguir mundos-e-fundos, quando o que está em causa são coisas muito simples e objetivas.
O Governo, com os Oficiais de Justiça, empata, demora, entorpece e estorva. Cada uma das muitas reuniões serve apenas para tentar vencer pelo cansaço os negociadores que representam os Oficiais de Justiça e, este ano, o Governo tem tido êxito com essa estratégia nas reuniões, uma vez que também um dos sindicatos se rendeu e pôs fim às greves, considerando uma vitória o ofertado pelo Governo.
Os Oficiais de Justiça têm como interlocutor com o Governo a ministra da Justiça e, tanto a atual como as que a antecederam, não possuem o mesmo peso político que outros ministros detêm no Governo, motivo pelo qual nada, ou quase nada, é conseguido. Por isso, perante uma ministra sem especial relevo no Governo, os Oficiais de Justiça têm a obrigação de a ajudar a ter maior importância dentro do executivo e, para isso, devem encetar todas e mais algumas ações de luta.

Fonte: “Eco”.
