Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

“O dia inicial inteiro e limpo”

      Este é o dia em que recordamos que neste país houve uma Revolução que trouxe a liberdade a todo o Povo Português, pela mão de uns quantos indivíduos, muito teimosos e também muito corajosos.


      Revolução sem discurso, mas com ação; com ação de facto, com indivíduos que fizeram acontecer, mesmo correndo enormes riscos, designadamente, da sua própria vida.


      Este é, portanto, o dia em que cada ano devíamos olhar-nos no espelho e perguntarmo-nos sobre o que é que, de facto, realmente, já fizemos, com boa teimosia e com grande coragem.


      Todos os portugueses têm este bom exemplo de há 49 anos e nem sequer precisam de inventar nada, basta copiar, basta imitar a integridade e a firmeza do caráter daqueles impulsionadores da Revolução de Abril.


      Sophia de Mello Breyner Andresen, que todos costumam classificar como grande poetisa e escritora da Língua Portuguesa, preferimos hoje, num dia como o de hoje, classificá-la como pintora, ou como fotógrafa, do espírito dos portugueses de há 49 anos, pois desta forma tão perfeita retratou e coloriu o sentimento dos portugueses filhos desta Revolução:


            “Esta é a madrugada que eu esperava
             O dia inicial inteiro e limpo
             Onde emergimos da noite e do silêncio
             E livres habitamos a substância do tempo”


      Era este o sentimento de há 49 anos, surgido naquela madrugada revoltosa (madrugada que antecede o amanhecer), que se tornaria o primeiro dia “inteiro e limpo” em que o Povo deixava, por fim, aquele tempo escuro “da noite e do silêncio”, para “livres” passarmos a poder viver plenamente as nossas vidas.


      Este sentimento, que era comum a toda a sociedade portuguesa e que deixou de o ser, está hoje, no entanto, a florir brevemente, de forma ténue e subtil, nas ruas.


      O Povo, a massa dos trabalhadores que estão entrincheirados na guerra civil que hoje decorre nas ruas, luta com grande afinco com as armas que a Democracia lhes disponibiliza e sabe bem que esta guerra, que não ocorre lá longe no leste nem em África, mas mesmo aqui, no dia a dia de todos nós, tem de ser vencida, porque é uma questão de justiça e uma questão de vida.


      Os Oficiais de Justiça voltam às trincheiras desta guerra nos próximos 7 dias úteis, já a partir de amanhã. Sabemos que nem todos terão a coragem necessária para manter fortificada a posição, sem permitir qualquer recuo, mas também sabemos que muitos outros valerosos, lutarão com todo o empenho, por si e por todos os demais, seja qual for o número necessário que tenham de representar. E é nestes homens e nestas mulheres que compõem esta intrépida profissão, que vemos como os cravos vermelhos, que não são comprados, lhes brotam das mãos; das suas ações.


      Assim se faz acontecer; assim se constrói uma vida nova, mais justa e limpa; um novo dia inteiro e luminoso, que todos tanto esperam, para abandonar, de vez, esta noite escura de silêncio que abafa.


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