Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Mutatis mutandis, os Oficiais de Justiça também vêm lutando e resistindo imenso

      Então, para a próxima semana temos o seguinte calendário e agenda:


18Abr-Seg – Último dia das Férias Judiciais da Páscoa
19Abr-Ter – Retoma de todo o trabalho e fim de algumas férias pessoais
20Abr-Qua – Cerimónia no STJ da abertura do presente ano judicial
21Abr-Qui – Presidente da Ucrânia discursa na Assembleia da República
22Abr-Sex – Greve de todos os Oficiais de Justiça, convocada pelo SOJ.


     De todos estes cinco dias, consideramos como relevantes os acontecimentos marcados apenas para dois dias: quinta e sexta-feira, dias que correspondem à intervenção do presidente da Ucrânia e à greve dos Oficiais de Justiça. Os acontecimentos dos restantes dias não são relevantes.


      A intervenção do presidente do país que está a ser uma das primeiras vítimas de um estado totalitário presidido por um lunático idêntico a Hitler e cuja resistência é louvável, é um dia relevante porque está em causa, também, a nossa vida e a Justiça.


      De igual forma, a greve dos Oficiais de Justiça marcada para sexta-feira é uma ação muito relevante para estes profissionais da justiça mas que, curiosamente, da cuja dita carecem.


      A informação sindical do SOJ que ontem aqui noticiamos tem por título o seguinte: “Oficiais de Justiça: nunca alcançamos nada sem lutar!”, mas, para além de tal afirmação ser correta de que, no passado, foi sempre preciso lutar para alcançar algo para a carreira, mostra-se também incorreta porque a afirmação poderia ser assim: “Oficiais de Justiça: nunca perdemos tanto mesmo lutando imenso!”.


      Nos últimos anos a carreira foi totalmente devassada pelos sucessivos governos: PS, depois PSD-PP e novamente PS. A alternância no governo desses partidos, apenas teve como diferença, diferentes perdas infligidas aos Oficiais de Justiça e omoplatas e clavículas doridas de tanta pancadinha nas costas dando razão a estes profissionais.


      Na última legislatura ainda houve a esperança, por dois anos consecutivos, de que com as duas Leis dos Orçamentos de Estado – contendo preceitos próprios relativos aos Oficiais de Justiça, por força da introdução dos mesmos por uma Esquerda que, entretanto, foi esmagada pelo ideário totalitarista em voga –, acreditou-se que fosse possível construir uma carreira novamente dignificada. No entanto, o governo PS de então que ora continua, nunca respeitou as duas Leis da Assembleia da República e, quando no ano passado, à última hora, apareceu aquele projeto de Estatuto, todos puderam constatar que essa seria a machada final, entretanto adiada.


      Tudo o que foi conseguido foi com luta, sim, mas tudo o que foi perdido também foi com muita luta e a recuperação de apenas alguns aspetos, poucos; muito poucos, tem sido objeto da maior luta de sempre sem resultado algum até ao momento.


      Este ataque constante à carreira, esta perda constante de aspetos significativos que a valorizavam e o enorme esforço que os Oficiais de Justiça têm vindo a fazer ao longo de anos; resistindo aos ataques, retorquindo com uma luta com atos inimagináveis, variados e de enorme esforço com relevantes perdas salariais, salvo o devido respeito, que é muito, e a distância das circunstâncias, é, no entanto, atrevemo-nos a tal, equivalente à resiliência do Povo Ucraniano enfrentando o monstro.


      Mutatis mutandis, é a mesma coisa: os Oficiais de Justiça vêm lutando imenso, resistindo imenso e, embora alguns se tenham rendido, outros, muitos mais, ainda não desistiram da luta e acreditam que a vitória ainda é possível, apesar de tanta derrota. Por isso, a comparação com o sofrimento e a coragem do Povo Ucraniano, embora seja uma comparação claramente exagerada, não deixa de ter aspetos paralelos e, por tal motivo, é possível comparar o sofrimento e a determinação dos Oficiais de Justiça na luta contra todos os seus monstros, com igual sede de Justiça.


      E é com este espírito determinado que todos contamos, seja na barbaridade da Ucrânia, seja na luta pela carreira dos Oficiais de Justiça.


      Como nunca nada caiu do céu a não ser a chuva, a luta que ora tem reinício, seja com o envio massivo das declarações aqui propostas, também aconselhadas pelo SOJ, seja com a adesão massiva à greve de sexta-feira 22Abr, é, de momento, a única luta que tem que ser feita, a par do cumprimento rigoroso da greve do SFJ declarada em 1999 ao trabalho após as 17H00 e na hora de almoço.


      Por tudo isto, os únicos dias relevantes na próxima semana são os dois últimos dias úteis e úteis não pelo trabalho, mas pelo significado dos acontecimentos que apelam à Justiça para o Povo trabalhador.


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A não esquecer: 22ABR (sexta-feira): Greve por ti e por todos. Neste dia não poderá haver serviços mínimos porque amanhã, feriado e também sexta-feira, também não os há.


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