Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

“Mutatis Mutandis” andamos todos ao mesmo

      Os Oficiais de Justiça reúnem hoje, através dos seus representantes sindicais, com os elementos do Governo que têm na mão a possibilidade de querer tornar digna e atrativa a carreira, tal como já o foi, parando com toda a convulsão nos tribunais que já dura há tempo demais.


      Mas será que o Governo tem verdadeira noção daquilo que está a fazer com os Oficiais de Justiça na mesa das negociações?


      Vejamos: na última ronda negocial, o Governo propôs um aumento de 0,89% à percentagem antes proposta de 1,66% sobre o suplemento remuneratório.


      Quer isto dizer que o Governo, fazendo tábua rasa das reivindicações velhas, com décadas, dos Oficiais de Justiça propôs, por exemplo, que um Oficial de Justiça, em vez de receber um suplemento de 100,00, passasse a receber de 125,00; é esta a última proposta apresentada e é por isto que se vai para a 4ª ronda de negociações.


      Ontem, o mesmíssimo Governo propôs às polícias e guardas passar um suplemento de 100,00 para 400,00.


      Em Portugal existem 7391 Oficiais de Justiça (dados oficiais de 31DEZ2023) e existem cerca de 20000 polícias e mais de 23000 guardas da GNR. Ou seja, estamos a falar de qualquer coisa como 6 vezes mais elementos policiais do que os Oficiais de Justiça, sendo-lhes proposto um aumento 12 vezes superior ao que foi proposto aos Oficiais de Justiça.


      Tomem boa nota.


      A proposta, apresentada pela ministra da Administração Interna aos sindicatos da PSP e associações da GNR, os tais 300 euros de aumento, seriam pagos em três vezes, sendo 200 euros já incorporados em julho e os restantes 100 euros a incorporar em dois momentos: no início de 2025 mais 50 euros e em 2026 os restantes 50 euros.


      Com esta proposta, a vertente fixa do atual suplemento por serviço e risco nas forças de segurança acabaria por passar dos atuais 100,00 para os 400,00, mantendo a vertente variável de 20% do ordenado base dos militares da GNR e polícias da PSP.


      Mas não houve acordo.


      Bruno Pereira, da plataforma dos sindicatos da PSP e da GNR, disse aos jornalistas, no final da reunião, que “Não houve acordo. Foi uma longa maratona. Houve uma proposta do MAI que não acompanhamos.”


      A ministra da Justiça reúne em separado com os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça, mas a ministra da Administração Interna começou por se reunir com os sete sindicatos da PSP, mas ao fim da tarde as cinco associações da GNR juntaram-se à reunião, todos reunidos em conjunto.


      Nem todos ficaram até ao fim da reunião, alguns abandonaram-na antes. A Associação Sindical Autónoma de Polícia (ASAP), que não faz parte da plataforma dos sindicatos da PSP e associações da GNR, e o Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP), bem como o Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), que pertencem à plataforma, abandonaram as negociações por não concordar com a proposta.


      O presidente do SIAP, Carlos Torres, disse aos jornalistas que “abandonaram as negociações porque a contraproposta que a ministra apresentou ainda é muita curta”.


      Segundo Carlos Torres, esta será a última proposta apresentada pelo Governo.


      “O SIAP não concorda e ao não concordar não pode continuar na mesa de negociações”, disse, admitindo formas de luta no futuro.


      Carlos Torres sublinhou que o SIAP não concorda que “um segurança da Polícia Judiciária ganhe mais de suplemento de missão do que um polícia da PSP”.


      Também o presidente do Sindicato Nacional da Polícia, Armando Ferreira, afirmou aos jornalistas que “as reuniões acabaram para o Sinapol”.


      Armando Ferreira explicou que “já não há mais reuniões com a ministra, mesmo sem acordo”.


      “Não sabemos o que o Governo vai decidir agora. A vida de uns polícias não pode valer mais do que outros polícias. Não podemos aceitar este valor”, disse, avançando que o Sinapol pediu reuniões a todos os grupos parlamentares no sentido de se encontrar uma solução legislativa.


      Esta é a quarta proposta que a ministra da Administração Interna apresenta aos sindicatos da PSP e associações da GNR.


      A plataforma composta por 11 sindicatos da PSP e associações da GNR apresentou ao Governo uma contraposta, propondo que o suplemento que cobre o risco aumente 300 euros este ano e outros 300 em 2025, passando dos atuais 100 para 700 euros.


      Ou seja, a plataforma defende que os 600 euros de aumento sejam pagos de forma faseada entre este ano e 2025.


      É certo que estamos a falar de realidades profissionais diferentes em circunstâncias diversas, no entanto, o caso serve de exemplo, de certa forma, proporcionalmente comparável, àquilo que são as negociações com o atual Governo. E esta realidade reivindicativa das polícias é do conhecimento dos sindicatos que representam os Oficiais de Justiça.


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      Fonte: “Lusa/Sapo24”.

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