O último caso "merdiático" com membros do Governo diz respeito ao ministro da Administração Interna, Luís Neves.
A este propósito, a ministra da Justiça, Rita Júdice, afirma considerar que os jornalistas têm de ter limites nas suas investigações.
Hipocritamente afirma que “o direito à informação é importante”, mas que deve haver “limites que devem ser respeitados”.
Deve a ministra considerar que o tal “direito à informação” se deveria limitar à transcrição dos comunicados oficiais ou das entrevistas concedidas pelos membros do Governo, sem se preocuparem, nem cansarem, com outros assuntos, uma vez que a papinha já é dada toda feita aos senhores jornalistas.
Se os cada vez mais aspetos do caso Luís Neves são graves – aspetos que as investigações jornalísticas vêm (e muito bem) revelando –, não é menos grave aquilo que preside ao pensamento da ministra da Justiça e, pior ainda, ao atrevimento de o dizer publicamente, de forma tão perentória que reveste quase uma ordem ou uma disciplinação aos jornalistas (veja vídeo na fonte abaixo indicada).
À jornalista disse assim a ministra da Justiça:
«O que me parece que é de apontar é como alguém pode reagir ou aceitar sem indignação que a sua vida e a sua casa, sem qualquer autorização, seja invadida. Seja por quem for. O direito à informação é importante, o trabalho jornalístico é importante, mas há limites que têm de ser respeitados.»
Este taxativo pensamento expresso pela ministra da Justiça, para além de extremamente gravoso é também extremadamente perigoso, porquanto considera que a liberdade conquistada há mais de 50 anos neste país está a precisar de amarras, de barreiras, porque está a incomodar.
Começa a compreender-se o abafamento informativo das reuniões técnicas com os sindicatos. É pena que haja quem se deixa intimidar ou até seja, já de si, fraco e intimidado.
Fonte: “RTP”.

