Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Ministério da Justiça Procrastinador

      Com o título de “Deixar andar” publicava o Correio da Manhã esta semana o artigo de opinião de António Marçal, abordando o inexplicável desinteresse pelo estado a que se chegou na justiça, preferindo-se o caos a qualquer aproximação às reivindicações e soluções apresentadas pelos Oficiais de Justiça.


      Os Oficiais de Justiça não pedem mundos e fundos, mas apenas justiça, nada de especial, apenas a normalização das suas vidas e da sua profissão e, ao contrário de outras profissões, não reivindicam aumentos salariais, embora o devessem fazer.


      Os Oficiais de Justiça pedem coisas simples e comezinhas demasiado modestas até, com muito pouca ambição. É espantosa a teimosia do Governo, mesmo perante os milhões de atos que ficaram por cumprir, sim, milhões de atos e de ações que, na justiça, é grave e mais grave ainda porque continuarão a suceder, especialmente agora que a greve de todas as tardes se liberta dos serviços mínimos.


      A atitude do Governo perante a luta dos Oficiais de Justiça nunca foi a de ir ao seu encontro e perceber a situação. e mesmo sem conceder, sempre poderia negociar e acordar algo para qualquer prazo, porque tal compromisso poderia travar toda esta luta, mas nem isso; nada. Em alternativa, o Governo optou pela perseguição dos Oficiais de Justiça, encetando uma luta prepotente com ameaças e iniciativas intimidatórias, bem como recorrendo a práticas abusivas e ilegais que os tribunais, paulatinamente, vão anulando.


      Sim, faz-se justiça nos tribunais e repõe-se a justiça aos Oficiais de Justiça, aquela justiça que o Governo subverte, mas tarde, porque os tribunais demoram e não são tão rápidos a libertar como o Governo é a agrilhoar.


      Resultado de tudo isto? Oficiais de Justiça cheios de razão e de decisões de tribunais que lhes dão essa razão, mas inalterável a situação profissional e, ao mesmo tempo, o caos instalado nos tribunais e nos serviços do Ministério Público, sem perspetivas de que possa melhorar nos próximos anos.


      E, a este propósito, o artigo de António Marçal desta semana no Correio da Manhã diz assim:


      «No intricado cenário do sistema judiciário, um problema persistente e crescente desafia a promessa de uma justiça pronta e eficaz. A demora na resolução de processos é uma ferida aberta que afeta não apenas os litigantes, mas a confiança de toda a sociedade no sistema. A persistente falta de vontade do governo em alcançar um entendimento tem alimentado um ciclo de greves dos oficiais de justiça, que continua a prejudicar o sistema judiciário.


      Os números não mentem. Este impasse leva a que milhões de atos fiquem por praticar, milhares de processos a acumularem-se, as datas de julgamento são adiadas repetidamente, pilhas de documentos acumulados nas secretarias sem o devido registo e andamento, o que leva a prescrições em banda e as partes envolvidas a desesperarem por justiça.


      Já ninguém compreende a posição do Ministério da Justiça em deixar andar, sem mostrar real preocupação com o que se passa nos tribunais.


      O Presidente da República também não tem mostrado preocupação, tal assunto não faz parte da sua agenda. A nossa esperança coletiva de construir uma justiça mais célere, eficaz e acessível para todos os portugueses.»


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      Fonte: “Correio da Manhã”.

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