Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Mas por que tanto contestam os Oficiais de Justiça?

      Foi divulgado recentemente um novo relatório da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça, relativamente a dados de 2018.


      Tal como tantos indicadores e dados estatísticos, em termos de Justiça, Portugal acaba por estar no grupo da frente na maioria dos indicadores do relatório da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (CEPEJ) do Conselho da Europa.


      Toda a gente está satisfeita, seja dentro ou fora de portas, tudo corre bem. Então por que razão os Oficiais de Justiça se mostram tão desagradados?


      As pendências diminuem e os Oficiais de Justiça protestam. A taxa de resolução processual, isto é, a taxa de eficiência, que consiste em ter mais processos findos do que os entrados, está acima dos 95% e é das melhores taxas dos países da Europa do sul e os Oficiais de Justiça mostram-se desagradados.


      Ou seja, tudo corre bem e os Oficiais de Justiça protestam. Vem um vírus contagioso e os Oficiais de Justiça protestam.


      Mas afinal por que raio passam o tempo todo a queixar-se?


      Todos os outros profissionais da Justiça também protestavam mas agora está tudo calado, por que será? E por que será que só os Oficiais de Justiça reivindicam coisas velhas de há décadas, como, por exemplo, a integração do suplemento?


      Por que será que os sucessivos governos sempre prometeram solucionar as deficiências da profissão mas nunca cumpriram as promessas?


      A resposta a todas estas questões é simples: os Oficiais de Justiça são facilmente manipuláveis e acreditam em tudo, nunca tendo tomado posições sérias e firmes.


      A destruição da carreira fez com que a camaradagem que antes existia desaparecesse quase por completo. Cada um por si, cada um preocupado com a sua situaçãozinha sem compreender que a luta do grupo é que consegue resultados para todos.


      Depauperar a carreira e dividir para melhor governar tem sido o mote dos sucessivos governos, apoiados até, pasme-se, por Oficiais de Justiça nomeados para entidades com funções governativas que em nada contribuem para a salvaguarda da profissão, bem pelo contrário.


      Assim, o facto do relatório revelar que Portugal tem vindo a melhorar a sua avaliação no grupo de cerca de 40 países analisados e confirmar a existência de uma correlação direta entre a riqueza de um país e a despesa pública afeta à Justiça, é um feito muito interessante mas é conseguido à custa da exploração de cerca de sete mil indivíduos que já nem sequer têm grande noção daquilo que representam e daquilo que podem conseguir obter.


      Por que raio os governos se haveriam de preocupar com estes indivíduos que, afinal, sempre tudo fazem e continuam a contribuir para os fantásticos números conseguidos?


      Os países mais ricos gastam um valor superior por habitante, o que equivale a menos dinheiro do Produto Interno Bruto (PIB) e os mais pobres investem um valor maior do PIB correspondente a uma quantia menor se dividida por cidadão. Portugal encontra-se perto da média do investido pelos países analisados, no orçamento na Justiça, apresentando valores idênticos para estes dois tipos de despesa (por habitante e PIB). A maior despesa do orçamento para a Justiça em todos os países é com os tribunais.


      E quanto aos recursos humanos? Nos sistemas judiciais analisados pela CEPEJ o maior número de países tem de 10 a 20 juízes por 100 mil habitantes. Portugal e toda a europa do Sul encontram-se dentro deste indicador, revelando Portugal o valor de 19,3 juízes por 100 mil habitantes. O número de procuradores é de 13,5 por 100 mil pessoas variando os valores na generalidade da Europa entre os números de 2 e 15.


      Continuando no relatório, o número de mulheres tem vindo a crescer entre os profissionais mais qualificados nos tribunais, apesar de ser gradualmente menor à medida que a instância judicial é mais elevada. Desde 2014 a CEPEJ tem sublinhado o termo «glass ceiling» para descrever que nos níveis mais altos da hierarquia judicial o número de mulheres decresce.


      Portugal está entre os países analisados pela CEPEJ com mais advogados por 100 mil habitantes (acima de 200 profissionais) e com mais tribunais especializados, revelando um decréscimo de juízos de competência genérica, tendência comum a um grande número dos países analisados.


      As ações de menor valor monetário continuam a ser um grande número das ações judiciais em Portugal, em termos de percentagem do PIB: 76,5%.


      No que diz respeito às novas tecnologias de informação e comunicação, Portugal está entre o pequeno grupo de países com mais informatização e mais normas regulatórias para o uso desta.


      Portugal conseguiu uma grande diminuição no tempo de duração dos processos que estava, em 2018, em 229 dias (cerca de metade do valor de 2010) para processos cíveis e comerciais, embora nos processos administrativos o tempo seja ainda elevado. Grécia, Itália e Portugal têm conseguido ser mais eficientes nos processos administrativos, mas ainda precisam de reduzir a demora processual destes.


      Nos processos criminais, Portugal encontra-se no grupo de países com uma taxa de eficiência alta em que o tempo médio dos processos é menor que 244 dias.


      Portanto, por que raio há tanta contestação nos Oficiais de Justiça e tão-só nesta profissão? Será porque só estes é que estão esquecidos; propositadamente esquecidos? Será porque o elevado custo de uns implica o reduzido custos de outros?


      Se quiser ver o mencionado relatório, aceda ao mesmo por “AQUI”.


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