Na semana passada, o Correio da Manhã publicou a habitual coluna de opinião subscrita por António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).
O artigo intitula-se “À Espera” e, em subtítulo, o mencionado diário colocava o seguinte destaque extraído do artigo: “A cenoura continua à frente do burrito, numa caminhada interminável”.
Consta assim o lamento de Marçal no artigo:
«O Estatuto está encalhado e os Oficiais de Justiça continuam à espera. Uma espera que se tem revelado insana, pois já lá vão muitos anos de adiamento do inevitável – um Estatuto profissional que dignifique esta carreira especial e que é fundamental para o bom andamento da Justiça em Portugal.
Uma carreira adiada nas suas expectativas mais viscerais, mais intrínsecas, com lutas penosas pelo caminho, com todo o tipo de manifestações, com greves, com alguma visibilidade mediática e nada!
O Governo continua impávido e sereno. Acena-lhes com a possibilidade de um projeto de estatuto, tal como a cenoura está para o burro, que vai caminhando, fazendo o seu trabalho, a correr atrás do tão almejado legume.
Na anterior legislatura, a então ministra da Justiça, por diversas vezes interpelada na Assembleia da República sobre esta situação de adiamento interminável, respondia sempre que era para já, está a sair – tal como as castanhas, quentinhas e boas.
Mas não, acabou-se o XXII Governo Constitucional e os Oficiais de justiça continuaram à espera.
Estamos no XXIII Governo e nada mudou.
A cenoura continua à frente do burrito, numa caminhada interminável.
Já foi dado a conhecer que terá de continuar a sua caminhada pelo menos até 2023 e, assim, vai o animal de carga emagrecendo, definhando, morrendo desnutrido até à machadada final.»

Fonte: "Correio da Manhã".
