Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Mantendo-se fortes, intrépidos, destemidos e bravios

      Vive-se hoje nos tribunais e nos serviços do Ministério Público, por todo o país, um autêntico estado de guerrilha, em que os Oficiais de Justiça vão lutando, como podem, com consideráveis perdas financeiras, mas sempre de forma contundente; ora aqui, ora ali, mas permanentemente, com uma constância de anos que se reflete todos os dias.


      Ontem, mais uma vez, mais uma diligência de um processo mediático foi adiada, agora pela segunda vez, novamente em Aveiro, porque os Oficiais de Justiça voltaram a querer manifestar o seu desagrado e o seu estado de espírito, estando manifestamente motivados para dar continuidade a esta luta que, apesar dos muitos anos que já dura, dura ainda também é e não esmoreceu.


      É este o estado de guerrilha permanente que só poderá ser parado com uma vitória clara, inequívoca, destes incansáveis lutadores.


      Não pense o Governo, ou quem acaba por localmente o representar, que pode impor sanções, ilícitas, aliás, ou qualquer tipo de constrições, como as ameaças já realizadas de que não negociaria com os sindicatos sob esta tensão das greves decretadas.


      Não pensem sequer os sindicatos em abolir as greves decretadas pela cedência à pressão do Governo, uma vez que há um histórico, até recente, de ocorrências desta índole, designadamente, aquando do falso e incumprido acordo de junho do ano passado.


      Caso os sindicatos cedam, os Oficiais de Justiça desfiliar-se-ão massivamente, em muito maior quantidade do que aquela vaga do ano passado aquando do apressado acordo.


      Os Oficiais de Justiça já deram bastantes provas de que podem tomar conta do seu destino, através de tantas ações diversificadas que levaram a cabo, sendo bem possível que mais e novas venham a ser tentadas e executadas, mesmo desamparados pelos seus dois atuais sindicatos ativos.


      É de um risco enorme que os sindicatos cedam, milímetros que seja, na “ocupação territorial”; na “invasão” que lhes cerceia a capacidade e a amplitude de movimentação.


      A luta continua e este tão velho mote, tão gritado nas ruas, ouve-se agora, em surdina, de Oficial de Justiça para Oficial de Justiça, lado a lado, em cada secção, junto a cada máquina automática que serve o café barato, junto a cada micro-ondas que aquece a marmita do almoço, porque o salário não dá para mais.


      É este o estado de espírito dos Oficiais de Justiça, cansados, mas combativos, quase derrotados, mas ainda com fôlego para continuar, apesar do peso dos anos de cortes e cortes e tantos prejuízos.


      São heróis que não recuam da frente da luta e se algum passo atrás parecem dar, desenganem-se, não é um retrocesso, não é uma fuga nem uma rendição, é só para ganhar impulso para avançar mais ainda.


      Cansados e desgastados, envelhecidos e desapontados, mas ainda com uma réstia de força combativa, quase contra tudo e contra todos, aí ainda estão, mantendo-se à tona, mantendo-se na luta.


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      Fontes: “Correio da Manhã”, “Notícias ao Minuto”, “Notícias de Coimbra”.

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