Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Mais um relato de vida de um Oficial de Justiça

      No passado dia 25 de agosto aqui publicamos um artigo intitulado “Relatos intensos que ilustram o estado atual dos Oficiais de Justiça”.


      Nesse artigo, abordamos dois relatos de Oficiais de Justiça, desiludidos com a profissão mas a ela presos por mera necessidade financeira.


      Desde esse dia e desde essa publicação, temos recebido outros relatos sobre a vida dos Oficiais de Justiça e hoje vamos aqui reproduzir mais um desses relatos, enviados por um leitor assíduo desta publicação diária.


      A sua vida é assim que a relata:


      «Após ler estes relatos, que em nada me espantam, quero deixar também aqui outra área extra tribunal em que já começam a aparecer alguns OJ (eu mesmo sou um deles há já 3 longos anos), que é a área da Segurança.


      Exerço esta atividade religiosamente de sexta à noite até domingo, fim de semana após fim de semana, sem folgas, o ano inteiro, e ainda em todos os períodos das minhas férias, apenas parando 1 semana apenas para poder ir de férias com os meus filhos e esposa.


      Estou autorizado pela DGAJ a exercer um determinado tipo de segurança mas, claro,  infelizmente o nosso "patrão" encurralou-nos há muitos anos com baixos salários, falta de promoções, de incentivos profissionais e monetários, congelamentos atrás de congelamentos (veja-se que até o salário mínimo está quase no patamar dos nossos vencimentos líquidos, o que é impensável, com 30 anos de serviço público, atenta toda a nossa responsabilidade) e empurrou-nos para esta e muitas outras atividades (conheço imensos colegas que exercem muitas outras atividades e que nunca solicitaram qualquer autorização para as exercerem, ao contrário do que eu fiz).


      Comecei já este ano um processo de licenciamento de uma casa para Alojamento Local, outro “part-time” que espero muito em breve se venha a tornar o meu segundo emprego e, quiçá, até a minha verdadeira reforma (penso mesmo em abandonar a função pública antes dos 60 anos (fiz agora 50) e assim poder abandonar de vez a atividade extra tribunal, onde, para além de também sermos mal pagos, obriga-nos a turnos diurnos e/ou noturnos de 12 horas seguidas.


      Tenho um filho na faculdade a quem quero dar um futuro e um emprego bem melhor que aquele que escolhi há quase 30 anos, pois este foi um verdadeiro pesadelo e uma terrível desilusão.


      E fico por aqui com este meu desabafo.»


      Lembramos todos os Oficiais de Justiça que podem enviar os relatos que queiram para o endereço de email desta página: [email protected]


      Esses relatos poderão ser publicados, sob prévia autorização do próprio, a quem enviamos o projeto de artigo, antes de publicá-lo, por e-mail, para que aprecie e autorize tal publicação, pois caso não o faça, nunca nada publicaremos. Também ajustaremos os relatos de forma a manter o mais convenientemente o anonimato dos nossos leitores.


      Este é um sítio seguro e com total confidencialidade, como, aliás, todos os nossos leitores têm concluído ao longo de todos estes anos.


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