No passado dia 25 de agosto aqui publicamos um artigo intitulado “Relatos intensos que ilustram o estado atual dos Oficiais de Justiça”.
Nesse artigo, abordamos dois relatos de Oficiais de Justiça, desiludidos com a profissão mas a ela presos por mera necessidade financeira.
Desde esse dia e desde essa publicação, temos recebido outros relatos sobre a vida dos Oficiais de Justiça e hoje vamos aqui reproduzir mais um desses relatos, enviados por um leitor assíduo desta publicação diária.
A sua vida é assim que a relata:
«Após ler estes relatos, que em nada me espantam, quero deixar também aqui outra área extra tribunal em que já começam a aparecer alguns OJ (eu mesmo sou um deles há já 3 longos anos), que é a área da Segurança.
Exerço esta atividade religiosamente de sexta à noite até domingo, fim de semana após fim de semana, sem folgas, o ano inteiro, e ainda em todos os períodos das minhas férias, apenas parando 1 semana apenas para poder ir de férias com os meus filhos e esposa.
Estou autorizado pela DGAJ a exercer um determinado tipo de segurança mas, claro, infelizmente o nosso "patrão" encurralou-nos há muitos anos com baixos salários, falta de promoções, de incentivos profissionais e monetários, congelamentos atrás de congelamentos (veja-se que até o salário mínimo está quase no patamar dos nossos vencimentos líquidos, o que é impensável, com 30 anos de serviço público, atenta toda a nossa responsabilidade) e empurrou-nos para esta e muitas outras atividades (conheço imensos colegas que exercem muitas outras atividades e que nunca solicitaram qualquer autorização para as exercerem, ao contrário do que eu fiz).
Comecei já este ano um processo de licenciamento de uma casa para Alojamento Local, outro “part-time” que espero muito em breve se venha a tornar o meu segundo emprego e, quiçá, até a minha verdadeira reforma (penso mesmo em abandonar a função pública antes dos 60 anos (fiz agora 50) e assim poder abandonar de vez a atividade extra tribunal, onde, para além de também sermos mal pagos, obriga-nos a turnos diurnos e/ou noturnos de 12 horas seguidas.
Tenho um filho na faculdade a quem quero dar um futuro e um emprego bem melhor que aquele que escolhi há quase 30 anos, pois este foi um verdadeiro pesadelo e uma terrível desilusão.
E fico por aqui com este meu desabafo.»
Lembramos todos os Oficiais de Justiça que podem enviar os relatos que queiram para o endereço de email desta página: [email protected]
Esses relatos poderão ser publicados, sob prévia autorização do próprio, a quem enviamos o projeto de artigo, antes de publicá-lo, por e-mail, para que aprecie e autorize tal publicação, pois caso não o faça, nunca nada publicaremos. Também ajustaremos os relatos de forma a manter o mais convenientemente o anonimato dos nossos leitores.
Este é um sítio seguro e com total confidencialidade, como, aliás, todos os nossos leitores têm concluído ao longo de todos estes anos.

