António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), na sua mensagem de Natal, gravada em vídeo na Praça do Comércio, em Lisboa, anunciou um novo prazo que concede ao Ministério da Justiça para que este possa apresentar o seu projeto de Estatuto que se possa depois começar a negociar.
António Marçal apenas referiu o projeto do Estatuto, isto é, não fez nenhuma referência aos outros dois aspetos pendentes, como a integração do suplemento ou a compensação do trabalho escravo, conforme previa a Lei do Orçamento de Estado para este ano que estivesse tudo concluído até ao final do mês de julho.
Disse assim:
«Dirijo-me a vós com uma palavra de esperança; esperança de que os ocupantes deste edifício, aqui ao meu lado direito, Ministério da Justiça, logo no início do ano 2021 possam dar a resposta que todos nós ansiamos.
Por isso mesmo, caras e caros colegas, será na segunda semana de janeiro que, a partir daqui, vos dirigirei mais algumas palavras, esperando nessa altura já termos o Estatuto para o discutirmos de uma forma alargada com todos e cada um de vós, ou, não o tendo, para vos anunciar as novas formas de luta, que tem que ser uma luta dura, uma luta que poderá ser efetivamente prolongada mas que com a razão que nos assiste iremos vencer.»
Portanto, fica concedido um novo prazo, até à segunda semana de janeiro, isto é, até meio de janeiro; até ao último dia dessa segunda semana: o dia 17JAN.
Até essa altura, ou depois dessa altura, António Marçal regressará àquela Praça do Comércio, junto do Ministério da Justiça, para anunciar o projeto de Estatuto ou, caso ainda não tenha sido apresentado, anunciar, logo ali na Praça, as novas formas de luta que, como já havia anunciado em outubro e que se iniciariam nesse mesmo mês: “tem que ser uma luta dura” e “prolongada”.
O presidente do SFJ afirma ainda que “com a razão que nos assiste iremos vencer”. Ora, esta afirmação da razão deixa algumas dúvidas uma vez que essa mesma razão não surgiu agora mas já surgiu antes, nos últimos muitos anos, décadas até, e nunca deu vencimento algum à classe.
Desde o ano passado, de prazo em prazo, de afirmação em afirmação, conseguimos todos chegar a 2021, com a maior naturalidade, como se nada houvesse passado, como se nada fosse ambicionado, como se todo o desgaste das inúmeras e variadas lutas esforçadas que os Oficiais de Justiça encetaram por todo o país, não tivessem existido.
Um novo prazo, uma nova linha vermelha, é, hoje, uma desconsideração para os Oficiais de justiça depois de todo o esforço desenvolvido nos últimos anos, com a consequente e significativa perda salarial, bem como o esforço da presença e da perseverança, como sucedeu com as viagens a Lisboa, àquela mesma Praça onde se assistiu a significativas manifestações.
Assim, António Marçal faria muito melhor se deixasse de definir prazos, pois já era tempo de bem perceber que não os tem cumprido e, a cada incumprimento, prejudica em muito a credibilidade, não apenas a sua, mas a do sindicalismo em geral.
Hoje, os Oficiais de Justiça estão cada vez mais desanimados com a atividade sindical, desde logo pelas inconsequências de tal atividade, motivo pelo qual reparam e cobram cada inação e cada falta. Por isso, cada incumprimento e cada palavra vã constitui uma perda para o sindicalismo e, portanto, uma perda para os trabalhadores.
Claro que, de prazo em prazo, algum dia se há de acertar mas não se diga então que tal é mais uma vitória, por favor, não; diga-se apenas que a tal “esperança nos ocupantes do edifício ao seu lado direito”, se concretizou graças à boa vontade dos ditos ocupantes de tal edifício que nunca se sentiram pressionados nem incomodados por esta atividade sindical.

Fonte: “SFJ”.
