Na próxima segunda-feira ocorre mais uma reunião dos sindicatos com o Governo e, em termos de aumentos a inflexibilidade do Governo parece que poderá ficar pelo já anunciado aumento de 0,3% e uns especiais 7 a 10 euros nos vencimentos até 683,00.
No entanto, nas negociações poderão surgir outras compensações distintas dos aumentos salariais para a Função Pública e é a própria ministra Alexandra Leitão quem o diz, esta semana, em entrevista à RTP, afirmando que o Governo poderá ir além dos 7 euros nos vencimentos mais baixos mas que os 0,3% para os demais é assunto encerrado. Alexandra Leitão admite haver flexibilidade para atribuir mais dias de férias aos Funcionários Públicos, isto é, não dando nada de novo mas repondo o corte dos dias ocorrido nos tempos da troika, corte este já reposto a muitos Funcionários Públicos mas ainda não a todos.
Que o Governo conceda agora os 3 dias retirados é algo que não concede, repõe e normaliza os Funcionários Públicos, fazendo com que todos passem a ter o mesmo número de dias de férias, o que agora não ocorre.
Os Oficiais de Justiça continuam a ter 22 dias de férias, ao contrário dos 25 que outros gozam, desde as empresas privadas, onde nunca se cortaram os dias, a quase todos os municípios onde os dias foram já repostos e há já um bom par de anos.
Os Oficiais de Justiça estão neste preciso momento, por todo o país, a marcar as suas férias pessoais, de acordo com as necessidades dos serviços dentro das férias judiciais e em acordo e desacordo com todos os seus colegas.
Neste momento, parece valer a pena aguardar por segunda-feira para ver se os 22 dias se mantêm ou se as férias passam a 25 dias.
De todos modos, esta hipótese é apenas isso mesmo, uma hipótese de entre várias “outras medidas transversais” como diz a ministra e referiu-se não só às férias mas também a pré-reformas ou a formação profissional.
Alexandra Leitão considerou ainda que não há trabalhadores a mais na administração pública, sublinhando que essa ideia “é um mito” e que há uma recuperação a fazer no número de postos de trabalho perdidos durante o período da troika.
Os Oficiais de Justiça têm vindo a recuperar elementos, ano após ano, de forma muito lenta e com grandes constrangimentos nas progressões e promoções. Os Oficiais de Justiça sabem muito bem que ter a seu lado um novo colega de trabalho e com ele dividir a carga de trabalho diária é algo muito valioso que pode perfeitamente compensar a falta de umas décimas percentuais de aumento salarial.
Os Oficiais de Justiça dispensam os 0,3% de aumento, preferindo antes novas entradas de novos Oficiais de Justiça e uma carreira aberta à mobilidade das promoções e das progressões sem barreiras, de regresso à normalidade.
O que os Oficiais de Justiça pedem não é nada de especial nem de extravagante, os Oficiais de Justiça são pessoas simples e não querem sequer ganhar mais do que o primeiro-ministro, querem apenas um regresso; um mero regresso à normalidade que lhe foi furtada pelos sucessivos governos; uma reposição que é apenas um voltar à normalidade.

