Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Já ninguém aprende com os erros?

      Portugal continua, como sempre, a ser devastado pelos incêndios, sem que haja uma verdadeira e eficaz governação que aprenda com os erros do passado; erros esses que nem sequer são meros erros, mas enormes tragédias.


      Parece que, atualmente, já ninguém aprende com os erros. Os erros já não servem para corrigir ou melhorar a ação; os erros servem agora apenas para ensaiar métodos de os disfarçar, encobrir, para tentar convencer os outros de que não são erros e acabando mesmo por os convencer, por total ausência de sentido crítico.


      Ora, com este método maquilhador, os erros tendem a repetir-se e os problemas a eternizar-se, sem que se saia da cepa-torta, seja ao nível dos incêndios, seja ao nível de tantos outros aspetos da governação de um país, aliás, como os Oficiais de Justiça bem sabem e como bem o sabem todos os dias.


      Esta manhã, pelas 11H30, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) tem agendada uma audiência com o grupo parlamentar do PCP na Assembleia da República.


      Na passada quarta-feira, 11SET, também na Assembleia da República, Lucília Gago, a ainda procuradora-geral da República (PGR), prestou esclarecimentos na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.


      Entre tantos outros aspetos, Lucília Gago referiu os “enormes malefícios das greves em vigor”, referindo-se à “greve alongada no tempo, por tempo desmesuradamente longo” e acrescentando que os “malefícios” das greves, “só daqui a algum tempo se farão sentir em toda a sua amplitude”.


      Confirmou, portanto, a PGR aos deputados, que a dita pacificação social dos, ou com os Oficiais de Justiça, pelo acordo dos 3,5%, não existe, como bem sabem todos (ou quase todos) os Oficiais de Justiça.


      A maquilhagem, o método do disfarce e da dissimulação, também neste aspeto foi construída. Há entidades e Oficiais de Justiça que afirmam existir uma pacificação advinda do acordo firmado entre um dos sindicatos e o Governo, enquanto outros, tantos que parecem quase todos, não se sentem minimamente pacificados com tal mascarada conquista.


      De fora da carreira dos Oficiais de Justiça e, obviamente, sem clubites sindicais, está a procuradora-geral da República que, aliás, tem até mais com que se preocupar, mas é a própria quem afirma aos deputados e em audiência pública que os Oficiais de Justiça não estão nada pacificados, nada tranquilos, bem pelo contrário, e que os “malefícios” das greves “por tempo desmesuradamente longo” só “se farão sentir, em toda a sua amplitude, daqui a algum tempo”.


      Recorde-se que, neste momento, a greve mais antiga que os Oficiais de Justiça cumprem, começou em janeiro de 2023, isto é, já está a caminho de, em breve, perfazer dois anos, sendo uma greve diária, de todas as tardes, por tempo indeterminado e sem serviços mínimos. Nunca se viu nada assim! E esta é uma das três greves ativas. Não, não há mesmo nenhuma pacificação, porque os problemas se mantêm, apesar da camuflagem.


      A procuradora-geral da República está já com um pé fora do cargo, pelo que já não carece de nenhuma preocupação especial de contenção naquilo que diz, especialmente agora que todos a querem ver pelas costas. Lamentavelmente, foi preciso esperar 6 anos pelo fim do mandato, para que se libertasse e se dignasse olhar para os Oficiais de Justiça.


      Lucília Maria das Neves Franco Morgadinho Gago, cessa funções dentro de dias e à Comissão disse ainda que “os últimos elementos disponíveis, porque eles vêm sendo recorrentemente atualizados, apontavam para a falta, no Ministério Público, de, pelo menos, 400 Oficiais de Justiça.”


      E continuou afirmando assim:


      «Não tenhamos dúvidas, senhores deputados, é que se realmente as condições proporcionadas a esses senhores funcionários continuarem a ser aquelas que hoje são, a todos os níveis, desde logo também no aspeto remuneratório, é certo que poder-se-á até abrir concursos, não para 570, mas para o dobro; eles acabarão por não permanecer nesse desempenho.»


      Pois não, senhora procuradora-geral da República, tem toda a razão, mas, para além dos erros que não se veem, que não se querem distinguir, há também estes constantes alertas, estas constantes chamadas de atenção, vindas de todos os quadrantes e durante anos, alertas que também não se ouvem.


      Há esperança na pacificação? Não! Nenhuma!


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