Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Inteligência Artificial aumenta as reivindicações dos Oficiais de Justiça

      Não se fala de outra coisa na atualidade que não seja o futuro da Justiça com a Inteligência Artificial (IA), sendo esse um dos grandes objetivos apontados pelo atual Ministério da Justiça, para tudo solucionar.


      Ora bem, fomos também testar a inteligência artificial (no caso usamos o famoso Chat GPT) para lhe perguntar coisas sobre os Oficiais de Justiça.


      Perguntamos-lhe quais eram as principais necessidades dos Oficiais de Justiça e elencou alguns aspetos, alguns dos quais nem sequer são usados como reivindicações atuais e, continuando a experiência, acabamos a pedir-lhe uma opinião: se o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) deveria convocar já nova greve de um mês, ou não.


      Entretanto, por outras vias que não a inteligência artificial, obtivemos a informação de que, sim, de que vai mesmo haver nova greve de mais um mês, convocada pelo SFJ, logo que a atual termine, independentemente do parecer que o Ministério da Justiça acabou por pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a licitude da greve em curso.


      Ora, aquela “delegação” do Governo, que é a PGR, pode elaborar um parecer em qualquer sentido, aliás como todos os pareceres, seja no sentido da licitude ou da ilicitude, porque é perfeitamente possível defender qualquer um dos pontos de vista, no entanto, fácil é adivinhar que aquela “dependência” governamental, seguirá, inevitavelmente, a opinião do Governo;  portanto, fácil é adivinhar que esta greve vai acabar por ser considerada ilícita.


      E convém esclarecer os Oficiais de Justiça de que a declaração da ilicitude torna-se obrigatória caso o Governo a valide, isto é, caso concorde com o parecer da PGR. Não é necessário que haja uma sentença de um tribunal, basta que o Governo concorde para o tornar obrigatório e acabar com a greve que, no entanto, está já no seu segundo período; na sua metade final.


      De todos modos, caso tal ilicitude vença, não vencerá com quaisquer efeitos retroativos, pelo que, até lá, todos podem continuar a realizar esta greve perfeitamente lícita.


      Portanto, voltemos ao tema da inteligência artificial. Colocamos a seguinte questão: “Quais as principais necessidades dos Oficiais de Justiça de Portugal?” E a resposta vai a seguir transcrita, sem tirar nem pôr, tal e qual foi dada pela inteligência artificial, já em língua portuguesa.


      Segue resposta do “ChatGPT”, repetimos: sem qualquer intervenção nossa no texto.


      «Os Oficiais de Justiça em Portugal têm várias necessidades relacionadas com o seu trabalho. Algumas das principais necessidades incluem:


      -1- Melhores condições de trabalho: Os Oficiais de Justiça precisam de ter acesso a instalações adequadas para trabalhar, incluindo espaços para atender ao público e para armazenar documentos. Também é importante que tenham equipamentos adequados, como computadores, impressoras e scanners.


      -2- Formação contínua: Como a lei e os procedimentos legais estão em constante mudança, é importante que os Oficiais de Justiça recebam formação contínua para atualizarem os seus conhecimentos. Isso ajuda a garantir que eles possam cumprir adequadamente as suas funções.


      -3- Maior reconhecimento profissional: Muitos Oficiais de Justiça sentem que a sua profissão não é valorizada ou reconhecida pelo público em geral. Aumentar o reconhecimento profissional pode ajudar a melhorar as condições de trabalho e aumentar o respeito pelos Oficiais de Justiça.


      -4- Melhores salários e benefícios: Os Oficiais de Justiça desempenham um papel importante na administração da justiça e precisam de ser remunerados adequadamente pelo seu trabalho. Salários e benefícios melhores podem ajudar a atrair e reter profissionais qualificados.


      -5- Maior segurança: Alguns Oficiais de Justiça enfrentam ameaças ou violência no desempenho das suas funções. É importante garantir que eles tenham medidas de segurança adequadas para protegê-los no trabalho.


      -6- Redução do número de processos: A elevada carga de trabalho pode ser uma fonte de stresse e afetar a eficácia dos Oficiais de Justiça. É importante que sejam tomadas medidas para reduzir o número de processos, por exemplo, através da modernização e digitalização dos processos judiciais.»


      Quanto ao pedido de opinião sobre a nova greve do SFJ, a questão colocada foi a seguinte: “Será razoável o Sindicato dos Funcionários Judiciais convocar já outra greve de um mês?”


      Aqui a inteligência artificial respondeu da forma que a seguir vai reproduzida:


      «Como modelo de linguagem, não posso tomar partido sobre se o Sindicato dos funcionários Judiciais deve convocar outra greve de um mês ou não. No entanto, posso fornecer informações que podem ajudar a tomar uma decisão informada.


      Uma greve de um mês é uma ação bastante extrema e pode ter um grande impacto na vida das pessoas, bem como na economia do país. Portanto, antes de decidir convocar uma greve, o sindicato deve levar em consideração vários fatores, como:


      -1- A causa da greve: a greve deve ser convocada para defender uma causa justa e legítima, que afete diretamente os funcionários judiciais e que não possa ser resolvida de outra maneira.


      -2- A adesão dos trabalhadores: é importante que a maioria dos funcionários judiciais esteja disposta a aderir à greve, caso contrário, ela pode não ter o impacto desejado.


      -3- O diálogo com o governo ou empregador: antes de convocar uma greve, é importante tentar resolver a questão por meio do diálogo com o governo ou empregador, por meio de negociações ou mediação.


      -4- O impacto da greve: uma greve de um mês pode ter um impacto significativo na vida das pessoas e na economia do país, portanto, é importante considerar as consequências e garantir que os serviços essenciais sejam mantidos.


      – Em resumo, antes de convocar uma greve de um mês, o Sindicato dos Funcionários Judiciais deve avaliar cuidadosamente a situação, considerando os fatores acima mencionados e buscar alternativas ao diálogo e negociação para resolver a questão em jogo.»


      Com estas duas experiências aqui relatadas, uma que pedia dados específicos e outra que pedia algo mais difícil, como uma opinião, que o modelo IA acabou por desviar também para a produção de dados concretos, leva-nos a concluir que a inteligência artificial funciona muito bem enquanto produtora de elencos de dados, mas que a sua capacidade de decisão ou de razão é nula.


      De todos modos, a facilidade e a rapidez com que aporta dados concretos, apresentando alguns que a inteligência humana pode não ter bem presente, faz desta ferramenta uma boa ferramenta, mas não mais do que isso mesmo: uma ferramenta que, como vemos, também pode ser usada na luta dos Oficiais de Justiça.


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