Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Governos de costas voltadas para a justiça

      Ontem foi o último dia útil do ano nos tribunais, mas não o último dia laboral, pois esse ocorre hoje, com os tribunais de turno.

      Tivemos notícia de que ao longo da semana e especialmente ontem houve Oficiais de Justiça um pouco por todo o país a aderir às greves ativas, especialmente no período da tarde, mas, na quarta-feira passada e ontem mesmo, também aderindo à greve clássica das manhãs. Portanto, às quartas e às sextas-feiras, os Oficiais de Justiça podem fazer greve durante todo o dia, sem quaisquer serviços mínimos, aderindo às duas greves, à da manhã do SFJ e a da tarde do SOJ.

      Muitas dessas adesões fazem-se, por esta altura, por conveniências pessoais, e muito bem, não há problema nenhum com o facto dos Oficiais de Justiça poderem usufruir dessa liberdade, mas não só. Soubemos de greves em que não foi apenas este ou aquele a aderir, mas as secções inteiras combinadas, muitas vezes em reação a questiúnculas locais e, claro está, em completo desânimo e revolta com o estado geral da profissão.

      Neste sentido, já se preparam outras adesões para o início do ano. Logo a seguir ao dia de tolerância de ponto. O primeiro dia laboral é o dia 03JAN que coincide com uma quarta-feira, ocorrendo às quartas-feiras uma greve para toda a manhã e outra para toda a tarde, ambas sem serviços mínimos.

      Quer isto dizer que todos os detidos que o sejam durante a tarde e noite de segunda-feira, o feriado de 01JAN, deverão ser libertados por se esgotarem as 48 horas no dia 03JAN, caso haja uma greve de todo o dia nessa quarta-feira 03JAN. E é isto que foi conversado em algumas secções, especialmente as afetas à área criminal.

      Ainda há dias era notícia nacional a libertação de um detido devido à greve dos Oficiais de Justiça. Constava assim da notícia difundida:

      «Condenado por tráfico de droga e proibido de ficar em Portugal acabou em liberdade devido a greve. A greve dos Oficiais de Justiça, ofereceu um bónus a um homem procurado pelas autoridades portuguesas. Tinha sido condenado por tráfico de droga e proibido de permanecer em Portugal, mas devido à greve dos Oficiais de Justiça, a juíza não teve como interrogar o suspeito e mandou-o em liberdade.»

      Antigamente, quando havia governos responsáveis, isto era inadmissível e tudo se fazia para que situações destas não ocorressem, mas hoje, com governos de costas voltadas para a justiça, tudo é possível, designadamente, que os próprios Oficiais de Justiça voltem as costas aos governos, mas também à justiça, desligando-se da função e da responsabilidade que antes sentiam.

      O pensamento atualmente prevalecente nos Oficiais de Justiça é simplesmente o de sabotar o sistema, no sentido de lhe virar as costas, pagando na mesma moeda as costas voltadas dos sucessivos governos.

      E os detidos vão em liberdade por causa das greves dos Oficiais de Justiça? Sim! Quem se importa? Ninguém! Que impacto têm notícias destas nos cidadãos? Nenhum!

      E agora? Desistir ou incrementar a luta? Será possível aprender algo, outras estratégias, com outras entidades sindicais de outras carreiras?

      Mais um ano a acabar e cada ano que passa vemos como as reivindicações e as lutas foram sempre subindo de tom, mais acérrimas e em muito maior número, e vemos como os sucessivos governos se mantêm de costas voltadas para os Oficiais de Justiça, nada vendo, nada ouvindo, virando-se de vez em quando para dizer coisas como: “sim, têm toda a razão” e “este será o Ano dos Oficiais de Justiça”, ou então para atacar as diversas formas de luta, seja com constantes serviços mínimos, seja com ameaças diversas ou entendimentos do arco-da-velha.

      Quanto a ameaças, a mais caricata foi a do início do ano, aquando da greve aos atos, em que se ameaçava com cortes de dias inteiros e foram os Secretários de Justiça a registar essas greves como ausências ao serviço e feitas listas de grevistas, tudo para acabar em nada, todas essas faltas acabaram ignoradas e, pelo meio, as greves de tardes inteiras do SOJ, que não tinham nada a ver com a greve aos atos e até estavam bem registadas, também foram anuladas. Ou seja, era para cortar tudo a todos e acabou por não se cortar nada a ninguém.

      Já quanto a entendimentos também foi um fartote, desde o insinuar, sem afirmar, que a greve aos atos era ilegal, insinuação que até convenceu muitos, até ao mais recente estúpido entendimento que fica a pairar sob o mesmo modo de insinuação de que as greves são só para os respetivos associados dos sindicatos convocantes.

      Ou seja, o Governo quando não está de costas voltadas para os Oficiais de Justiça está de faca na mão ameaçando-os, aterrorizando-os, e é por isso que os Oficiais de Justiça reagem em conformidade com tais atitudes.

CostasVoltadas.jpg

      Fonte da notícia da libertação do detido: “TVI”.

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