Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Governo trata Oficiais de Justiça como estúpidos

      Ontem, para além do fim do campeonato nacional de futebol, com a vitória habitual, mais uma vez, de um dos clubes cujas vitórias se vão intercalando com as do outro; tal e qual o que vai sucedendo a nível político com os sucessivos governos, cuja alternância não significa mudança alguma; vemos como neste pequeno país, os cidadãos se bipolarizam e massificam em grupos de ideologia inamovível, o que não permite a introdução de qualquer mudança efetiva na vida das pessoas.


      É uma pena que vençam sempre os mesmos, ainda que à vez, ora uns, ora outros, deixando de fora tantos que todos os dias se esforçam tanto, ou mesmo mais, do que aqueles que detêm as melhores condições e sempre são objeto de toda a atenção mediática.


      E vem isto a propósito dos Oficiais de Justiça que, de igual modo, na área da justiça, ao longo das últimas duas décadas, viram todas as demais profissões a serem valorizadas e a deterem toda a atenção governativa e mediática, designadamente, com a implementação de estatutos fantásticos, ou, como, por exemplo, recentemente sucedeu, a simples ameaça de greve ao ato da Distribuição realizada pelos Magistrados do Ministério Público, originou uma reação imediata de reunião já na próxima semana com a ministra da Justiça, enquanto que os Oficiais de Justiça, nem com ameaças de greve nem com greves de facto, conseguem a mesma ou parecida atenção.


      Esta diferenciação no tratamento de alguns é uma discriminação muito palpável na sociedade portuguesa, discriminação de alguns que resulta negativamente para muitos, para a maioria, e positivamente para uns poucos.


      Os Oficiais de Justiça são a maior massa de trabalhadores da justiça, detendo um número que supera a soma do número de elementos das duas magistraturas juntas, que são minoria, mas que, no entanto, superam largamente as condições laborais da maioria.


      Toda a gente vê a injustiça discriminatória no tratamento dos Oficiais de Justiça e até são os próprios sucessivos governos que o vão afirmando, embora depois nada façam para contrariar essa tão manifesta injustiça.


      Começa amanhã mais uma greve dos Oficiais de Justiça, greve esta que se constitui como a terceira greve a decorrer em simultâneo. Note-se bem: a terceira em simultâneo. Não se trata de uma ameaça de greve, como a dos outros, nem de uma greve, mas de três greves diferentes que ocorrem ao mesmo tempo e isto é inédito e isto repete-se já pela segunda vez este ano que nem a meio chegou. É já a segunda vez este ano que coincidem e até se sobrepõem três greves dos Oficiais de Justiça, sem que esta anomalia tão grande no mundo laboral suscite qualquer atenção por parte do Governo.


      Ou seja, o Governo vem tratando os Oficiais de Justiça, pelo menos, como estúpidos e isto mesmo foi dito ontem na Convenção do Bloco de Esquerda por Mariana Mortágua.


      Mariana considerou que o Governo trata “como estúpidas as pessoas que estão a ser empobrecidas” e passou a elencar quem são essas pessoas, disse: “Professores, médicos, enfermeiros, Oficiais de Justiça, trabalhadoras da cultura e tantos e tantas outras sabem que o anúncio da prosperidade é um anzol.»


      Em síntese, Mortágua, quis dizer aos portugueses que não estão “condenados ao vexame que a maioria absoluta impõe” e que “o pântano se supera com democracia”.


      Esta simples menção aos Oficiais de Justiça num discurso em que a candidata se apresenta à sua eleição na direção daquele partido é algo novo, uma vez que os discursos políticos deste género nunca haviam incluído qualquer menção aos Oficiais de Justiça.


      Apesar do pântano e do vexame, podemos notar como a perseverança da luta dos Oficiais de Justiça vem conseguindo lentamente impor-se na atualidade, embora, como dissemos, lentamente, talvez demasiado lentamente, como demonstram estes indícios.


      Claro que isto ainda é muito pouco, mas o simples facto de antes não haver nada e agora haver algo, demonstra que o caminho é este e que a luta carece de maior firmeza e afirmação, não só pelo lado da adesão, mas pela apresentação de propostas de luta bem mais vigorosas.


      Os Oficiais de Justiça não são estúpidos, estão apenas assoberbados com o trabalho que realizam diariamente em substituição dos que faltam e a falta de tempo impede-os de parar para refletir e agir de uma forma mais contundente. E esperam dos sindicatos que os representam ações bem mais arrojadas, para a superação definitiva do pântano a que chegamos.


CerebroComChaveCorda.jpg


      Fonte: “Diário de Notícias”.

0