O atual Governo está radicalizado no alto da sua prepotência, considerando tudo e todos os que se lhe opõem como escumalha radical a combater e, neste sentido, utilizam a polícia como elemento perturbador da segurança pública.
O ministro da Administração Interna, um ministro profundamente fragilizado, pretende agora dar uma prova de força, da força que não tem, mandando na Polícia de Segurança Pública para que tenha intervenções violentas junto daqueles que não têm qualquer atitude violenta e que apenas estão confinados num concreto local em protesto pacífico e perfeitamente natural que faz parte de um Estado de Direito Democrático.
Os protestos fazem parte da Democracia, já a repressão dos mesmos faz parte da Ditadura.
E em termos de manifestações há que apontar o seguinte: Portugal não é a França e as ruas portuguesas não são as ruas francesas. Os protestos em Portugal não são violentos, violenta é apenas a ação do Governo, de acordo com o incómodo político que as pessoas lhe causam.
Já não é só o ministro da Administração Interna que é perigoso, mas o Governo inteiro que o valida e à força o mantém no cargo, permitindo-lhe continuar a tomar decisões radicais.
O jornalista e comentador Daniel Oliveira apresentou recentemente uma síntese de acampadas onde nunca houve esta ação radical dos governos, mesmo naqueles momentos em que tudo era proibido, como sucedeu durante a pandemia, e mesmo tendo tido as acampadas o apoio de deputados do Chega, do CDS e do PSD, mas, claro, enquanto oposição. A seguir indicamos o histórico de acampadas e ainda um breve vídeo do citado jornalista.
Estamos perante um Governo que já sobejamente demonstrou ser perigoso para o Povo, pelo que este mesmo Povo está a ser forçado a tomar outras atitudes mais radicais para ficar ao mesmo nível de radicalização do Governo e para poder responder com a mesma violência que a polícia utiliza.
É isto que o Governo está a promover: a radicalização e o incremento da violência.
Segue a síntese das acampadas realizadas nos últimos anos sem que tivesse existido qualquer investida policial contra os manifestantes, porque sempre houve uma postura digna dos governos respeitando-os.
Em maio de 2011, com a chegada da Troika, houve uma acampada no Rossio, em Lisboa, que, ao contrário da atual, durou 2 semanas.
Em setembro de 2018, estudantes deslocados fizeram uma acampada a exigir quartos.
Em outubro de 2020, a JSD, liderada pelo atual vice-presidente do PSD, fez uma acampada em frente ao Ministério do Ensino Superior, por causa das camas prometidas, e não foram corridos à cacetada.
Em novembro de 2020, em plena pandemia, quando as concentrações de pessoas eram proibidas e estávamos em constantes estados de exceção, empresários da restauração acamparam em Lisboa e no Porto, sendo até visitados, no acampamento em frente à Assembleia da República, por deputados de todos os partidos da Direita, mesmo dos que hoje tão ridiculamente se opõem, como os do Chega e do CDS, sem esquecer os do PSD, todos mostrando solidariedade com os manifestantes na sua acampada.
Em abril de 2023, os professores fizeram uma acampada em Lisboa, começando no Rossio, tendo depois passado para o Camões. Este protesto durou 2 semanas.
Em 2024, já com este Governo, os Oficiais de Justiça acamparam em frente à Assembleia da República, sem qualquer consequência.
Também em 2024, os bombeiros montaram tenda em frente à Câmara Municipal do Porto.
Em março deste ano 2026, os estudantes do Instituto Superior Técnico, também já com este Governo, fizeram uma acampada na Alameda da Universidade, protestando por quartos.
Atualmente, a visão de uma tenda causa arrepios ao Governo, chegando ao ponto ridículo da polícia dizer às pessoas que podem ficar nas praças, mas não as tendas. A rebuscada desculpa são as tendas; a insegurança são as tendas; a violência são as tendas.
O resultado da violência do Estado começou já a ter um novo efeito: surpreendentemente, ou talvez não, esta madrugada, no Porto, o Povo saiu à rua para apoiar os manifestantes. A polícia não os deixou passar para junto dos manifestantes, mas ali permaneceram, na fronteira montada pela Polícia. Estes novos manifestantes que saíram à rua incrementam o apoio à manifestação e incrementam o repúdio à violência ordenada pelo Governo contra o Povo.
No final da noite a polícia varreu todos os manifestantes, derrotou-os fisicamente, mas não mais do que isso. A ação repressiva fortaleceu a determinação de todos, ao mesmo tempo que contribuiu para o alargamento da base de apoiantes.
Se o Governo podia fazer pior? Sim, ainda podia, mas assim já está suficientemente mal porque conseguiu criar tantos anticorpos que a reação imunitária vai acabar com ele.

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