Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
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Foram dar música ao tribunal

      Nesta última quarta-feira, os alunos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian foram dar música ao Tribunal Judicial de Braga.


      A Orquestra de Cordas do 7.º e 8.º anos do Conservatório foram todos a tribunal não para participar em alguma diligência judicial, mas para “dar música” aos Oficiais de Justiça, aos magistrados e advogados, bem como aos bracarenses que quiseram assistir e ouvir o concerto denominado “Sons do Conservatório”.


      Ana Santos disse que Braga conhece a “excelência” do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian. “Como mãe de um ex-gulbenkiano tenho um apreço particular por esta escola que é uma instituição de excelência. Por isso, lancei o repto para promovermos este evento que é também único para o Conservatório, que nunca atuou dentro de um tribunal. É caso para se dizer que trouxemos o Conservatório ao tribunal por bons motivos”, ironizou.


      De seguida, Ana Caldeira, presidente do Conservatório, afirmou: “Foi uma “experiência nova. Já realizamos muitos concertos, em tantos espaços diferentes, mas, de facto, nunca tínhamos experimentado tocar num tribunal”.


      O concerto iniciou-se com um Ensemble Canto e Harpa, seguindo-se a atuação da Orquestra de Cordas do 7.º e 8.º anos que interpretaram composições de Mozart, Wagner, e Tchaikovsky, entre outros.


      Em destaque esteve ainda a apresentação de três obras com a participação de três jovens solistas que venceram o concurso interno de solistas realizado pelo Conservatório.


      Esta iniciativa no Tribunal Judicial de Braga teve origem nos advogados de Braga com a concordância da gestão da Comarca de Braga.


      Iniciativas deste género são raríssimas. Às vezes assiste-se a algumas exposições e contam-se, pelos dedos de uma mão, os espetáculos de índole musical ocorridos nos tribunais nos últimos anos.


      É uma pena que a abertura dos tribunais à população que serve só ocorra pelos piores motivos, isto é, pela ação da justiça em situações desagradáveis, e não ocorra periodicamente com espetáculos abertos à população, de música e não só.


      Por outro lado, é também triste que este género de iniciativas esteja dependente de entidades particulares, não havendo iniciativas idênticas por parte de Oficiais de Justiça ou de magistrados ou mesmo da gestão das comarcas.


      No que diz respeito aos Oficiais de Justiça, sabemos que existem muitos que produzem obras de arte e de artesanato que poderiam perfeitamente ser expostas nos tribunais, bem como existirem muitos Oficiais de Justiça que detêm ou participam em bandas musicais, de todos os géneros, que também poderiam atuar nos espaços públicos dos tribunais.


      As iniciativas de abertura dos tribunais à comunidade não podem estar limitadas à iniciativa privada quando os elementos que ali trabalham diariamente dispõem de produção e material suficiente para mostrar à comunidade que servem que, para além de toda a problemática da justiça, há ali gente com mais vida e outras sensibilidades para além dessas funções oficiais tão reguladas e estritas.


      Por que não uma atuação à noite de uma banda de música composta por Oficiais de Justiça no tribunal? Ou uma exposição itinerante de pintura, fotografia ou artesanato, da autoria de Oficiais de Justiça? Claro que é possível e não só é possível como desejável, pois apesar do trabalho que possa dar, os resultados que daí podem advir serão sempre vantajosos para todos.


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      Fonte: “O Minho”.

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