Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

Fernando Jorge não se Recandidata

      Um dos maiores acontecimentos no universo dos Oficiais de Justiça é, sem dúvida, um congresso do maior sindicato que os representa.


      O VIII Congresso Nacional ordinário do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), está a decorrer desde a passada quinta-feira (04ABR), em Anadia, até domingo (07ABR).


      Num universo de quase de 8000 Oficiais de Justiça, o sindicato que refere deter cerca de 5000 sócios e organiza um congresso com cerca de 300 participantes de todo o país, faz deste acontecimento algo relevante e incontornável na vida dos Oficiais de Justiça, mesmo daqueles que não pertencem a este ou mesmo a nenhum sindicato.


      Este Congresso tem também como título: "Os desafios para o judiciário num mundo em mudança" e com tal título indica-se que o mundo muda, tudo muda realmente, exceto a petrificada carreira dos Oficiais de Justiça.


      Os 300 congressistas de todo o país têm a seguinte ordem de trabalhos:


            .1. Aprovação do regimento do VII Congresso,
            .2. Balanço da Atividade,
            .3. Discussão e aprovação das alterações aos estatutos do SFJ,
            .4. Definição da estratégia político-sindical e
            .5. Eleição dos membros para o Conselho Nacional.


      Este que é o último congresso em que o presidente do SFJ, Fernando Jorge, participa, uma vez que anunciou que não se recandidatará àquele cargo, surge num momento em que as negociações sobre o Estatuto dos Oficiais de Justiça foi abruptamente interrompida e diferida para a próxima legislatura, enquanto avançam com vento a favor os demais novos estatutos dos demais profissionais do judiciário.


      Mundo em mudança em período conturbado em que os Oficiais de Justiça acabam de encetar as greves e as lutas mais inéditas e mais longas de que há memória, sem que nada conseguissem, perante um Governo com constantes posturas demagógicas a fazer de conta que negoceia. E não só fez de conta que negociava um novo estatuto como fez de conta que negociava o modo de recuperação do tempo de serviço congelado, assim também fazendo de conta que governa.


      Fazer de conta é algo que também acontece no mundo virtual, por isso, parece oportuno o tema da conferência escolhida para este sábado (06ABR), pelas 15H30, que o SFJ preparou para integrar este congresso, o tema é "Desafios da inteligência artificial na prática judiciária".


      A prática judiciária e a inteligência artificial está para o mundo como os Oficiais de Justiça estão para a bomba inteligente que o SFJ, em tempos, ameaçou lançar.


      De momento, a notícia relevante, até anunciada no noticiário da SIC da hora de almoço de ontem, é a de que Fernando Jorge não se recandidata ao cargo de presidente do SFJ.


      Esta decisão é uma decisão muito relevante e corajosa deste histórico presidente do SFJ que vai ao encontro daquilo que há muito é reclamado pelos Oficiais de Justiça que consiste na necessidade de renovação dos dirigentes deste sindicato.


      Fernando Jorge foi um excelente dirigente sindical mas a necessidade de renovação é imperiosa. Quando a secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, também convidada e presente neste Congresso, diz de Fernando Jorge que é “um sindicalista de alto gabarito” e que é ainda um sindicalista “consciente dos problemas da sua classe profissional e que, embora seja às vezes um bocadinho vinagrento na maneira como expõe as suas pretensões, nos momentos certos sabe distinguir o trigo do joio”, dá uma boa imagem do estado a que se chegou.


      Estas declarações da secretária de Estado estão reproduzidas e apreciadas no artigo aqui publicado há cerca de um ano, a 15-04-2018, no artigo intitulado: “Quem sabe distinguir o trigo do joio, quem é?


      Assim, a decisão de Fernando Jorge em não se recandidatar é uma excelente notícia, por permitir e induzir a natural e muito necessária renovação mas também é uma má notícia porque, afinal, Fernando Jorge foi um bom animal sindical.


SFJ-FernandoJorge.jpg

0