Um dos maiores acontecimentos no universo dos Oficiais de Justiça é, sem dúvida, um congresso do maior sindicato que os representa.
O VIII Congresso Nacional ordinário do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), está a decorrer desde a passada quinta-feira (04ABR), em Anadia, até domingo (07ABR).
Num universo de quase de 8000 Oficiais de Justiça, o sindicato que refere deter cerca de 5000 sócios e organiza um congresso com cerca de 300 participantes de todo o país, faz deste acontecimento algo relevante e incontornável na vida dos Oficiais de Justiça, mesmo daqueles que não pertencem a este ou mesmo a nenhum sindicato.
Este Congresso tem também como título: "Os desafios para o judiciário num mundo em mudança" e com tal título indica-se que o mundo muda, tudo muda realmente, exceto a petrificada carreira dos Oficiais de Justiça.
Os 300 congressistas de todo o país têm a seguinte ordem de trabalhos:
.1. Aprovação do regimento do VII Congresso,
.2. Balanço da Atividade,
.3. Discussão e aprovação das alterações aos estatutos do SFJ,
.4. Definição da estratégia político-sindical e
.5. Eleição dos membros para o Conselho Nacional.
Este que é o último congresso em que o presidente do SFJ, Fernando Jorge, participa, uma vez que anunciou que não se recandidatará àquele cargo, surge num momento em que as negociações sobre o Estatuto dos Oficiais de Justiça foi abruptamente interrompida e diferida para a próxima legislatura, enquanto avançam com vento a favor os demais novos estatutos dos demais profissionais do judiciário.
Mundo em mudança em período conturbado em que os Oficiais de Justiça acabam de encetar as greves e as lutas mais inéditas e mais longas de que há memória, sem que nada conseguissem, perante um Governo com constantes posturas demagógicas a fazer de conta que negoceia. E não só fez de conta que negociava um novo estatuto como fez de conta que negociava o modo de recuperação do tempo de serviço congelado, assim também fazendo de conta que governa.
Fazer de conta é algo que também acontece no mundo virtual, por isso, parece oportuno o tema da conferência escolhida para este sábado (06ABR), pelas 15H30, que o SFJ preparou para integrar este congresso, o tema é "Desafios da inteligência artificial na prática judiciária".
A prática judiciária e a inteligência artificial está para o mundo como os Oficiais de Justiça estão para a bomba inteligente que o SFJ, em tempos, ameaçou lançar.
De momento, a notícia relevante, até anunciada no noticiário da SIC da hora de almoço de ontem, é a de que Fernando Jorge não se recandidata ao cargo de presidente do SFJ.
Esta decisão é uma decisão muito relevante e corajosa deste histórico presidente do SFJ que vai ao encontro daquilo que há muito é reclamado pelos Oficiais de Justiça que consiste na necessidade de renovação dos dirigentes deste sindicato.
Fernando Jorge foi um excelente dirigente sindical mas a necessidade de renovação é imperiosa. Quando a secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, também convidada e presente neste Congresso, diz de Fernando Jorge que é “um sindicalista de alto gabarito” e que é ainda um sindicalista “consciente dos problemas da sua classe profissional e que, embora seja às vezes um bocadinho vinagrento na maneira como expõe as suas pretensões, nos momentos certos sabe distinguir o trigo do joio”, dá uma boa imagem do estado a que se chegou.
Estas declarações da secretária de Estado estão reproduzidas e apreciadas no artigo aqui publicado há cerca de um ano, a 15-04-2018, no artigo intitulado: “Quem sabe distinguir o trigo do joio, quem é?”
Assim, a decisão de Fernando Jorge em não se recandidatar é uma excelente notícia, por permitir e induzir a natural e muito necessária renovação mas também é uma má notícia porque, afinal, Fernando Jorge foi um bom animal sindical.

