Na coluna quinzenal que o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) assina no Correio da Manhã, podia ler-se ontem o artigo que a seguir se reproduz.
«Se dúvidas houvesse sobre a falta de Oficiais de Justiça e sobre a iminente rutura de alguns tribunais, desvaneceram-se com a mais recente notícia de que, em Lisboa, o Juiz Carlos Alexandre adiou diligências em processos mediáticos e, só por isso, vieram parar à comunicação social, uma vez que essa falta é crónica, e não meramente pontual, disso dão conta todos os relatórios anuais das 23 Comarcas do país.
Estamos perante uma classe profissional, onde o drama se instala, com a falta de novos ingressos (faltam cerca de 1100), o dia-a-dia torna-se demasiado tortuoso, onde um funcionário tem de trabalhar por dois ou três sem ser remunerado em conformidade, para além de não receber retribuição pelas horas extraordinárias, ainda temos a sua maioria há mais de vinte anos na base da carreira, a receberem uma média de mil euros mensais, muitos a viverem deslocados nas grandes cidades em alojamentos precários e a preço de ouro.
Achamos que falta uma visão profunda da vida quotidiana destes profissionais para se perceber o drama em que muitos vivem.
De cada vez que é apresentada uma proposta de lei na Assembleia da República que traga algum alento a esta classe, é sempre esmagada pela bancada do Governo.
Ficam-se pela inovação tecnológica, é a única coisa que apregoam. Afinal que justiça querem para o país?»

Fonte: “Correio da Manhã”.
