Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
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“E os gajos, cobardes, não fizeram”

      Foi divulgado nas redes sociais um vídeo de António Costa a ter uma conversa privada com os jornalistas do Expresso, na sequência da entrevista publicada este sábado pelo semanário, que parece mostrar o primeiro-ministro a referir-se a “gajos cobardes” relativamente ao caso do lar de Reguengos de Monsaraz.


      Diz assim:


      “É que o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia e os gajos, cobardes, não fizeram.”


      Estas declarações, prestadas em “off” aos jornalistas do Expresso, não eram para ser públicas mas acabaram por ser.


      A polémica entre médicos, a sua Ordem e as entidades governamentais é assunto que, para aqui e neste momento, não nos interessa; interessa-nos antes a demonstração, para os mais distraídos, da bipolaridade dos governantes, isto é, das suas declarações em “On” e em “Off”.


      Ou seja, há aquilo que se diz e aquilo que, apesar de não se dizer, se pensa e se acredita. Há aquilo que se diz de forma conveniente e pública e aquilo em que se acredita e não se diz a não ser numa forma privada para dois ou três indivíduos presentes.


      Claro que isso é uma forma óbvia de covardia, por não se dizer o que realmente se pensa, mas, ao mesmo tempo, é também um ato de uma grande coragem ao querer enganar todos os portugueses com declarações que não correspondem ao seu sentir.


      Ato de covardia ou de coragem; ou ambos, é este o dilema e a dificuldade na classificação de um político profissional.


      Independentemente dessa classificação do ato, uma coisa é certa: “Podemos chamar-lhes mentirosos, porque é isso que temos de lhes chamar”, tal como no ano passado respondeu a líder da Frente Comum aos jornalistas, a propósito dos aumentos salariais da função pública para 2020. Para Ana Avoila, o Governo estava a fazer “malabarismo em números juntando custos de trabalho que é obrigado ter para passar para a opinião pública [a ideia de] que vai dar aumentos aos trabalhadores da administração pública de x%, quando não é verdade”.


      Recorde-se que o Governo anunciou que o aumento para 2020 nos vencimentos dos funcionários públicos seria de 0,3%. Ou seja, dois euros e pico; menos de 3 euros brutos (antes de impostos e contribuições) para um vencimento de 1000 euros. No entanto, o Governo dizia que o aumento era de 3,2% porque lhe acrescentava outros valores que não o aumento em si, ao mesmo tempo que prometia que para 2021, haveria um aumento dos vencimentos superior a 1%.


       Acabamos de saber que, afinal, para 2021 o tal aumento será de 0%.


      Ora, se Avoila dizia em 2019 que “Podemos chamar-lhes mentirosos, porque é isso que temos de lhes chamar”, em 2020 podemos chamar-lhes “gajos cobardes” por prometerem fazer e “não fizeram”.


      Recorde-se que, no ano passado, para acalmar a contestação aos 0,3% de aumento, o Governo passou a referiu que para 2021 a atualização salarial seria “igual à taxa de inflação de 2020 inscrita no OE 2020”, ligeiramente acima de 1%, e ainda que “de forma a proteger o poder de compra dos trabalhadores, no caso em que a taxa de inflação em 2020 se situe acima desta previsão, o aumento corresponderá à taxa efetivamente observada.”


      Hoje sabemos que nada disso se concretizará.


      Assim, pegando nas palavras de António Costa, o Povo votou nestes gajos para “fazerem o que lhes competia e os gajos, cobardes, não fizeram.”


      Claro que isto não é nada; absolutamente nada, comparado com o que este e os anteriores governos já fizeram com os Oficiais de Justiça. Sem ir mais longe, basta ver o que sucedeu com a Lei (artº. 38º da Lei2/2020 de 32MAR) que a ministra da Justiça, corajosamente, declarou não cumprir, em pleno Parlamento que a aprovou. E tudo sem consequências porque os “gajos” são uns “cobardes”.


      Vivemos num país de cobardes governados por um gajo corajoso?


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      Fontes: “Observador” e o artigo de 13DEZ2019 intitulado “Sobre o Aumento Salarial para 2020” aqui publicado nesta página.

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