Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
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“É cansaço acumulado, resignação forçada e revolta silenciada”

      Na semana passada, lemos um comentário sobre a atualidade da carreira dos Oficiais de Justiça, publicado pelo Armando P. G., no nosso Grupo Nacional dos Oficiais de Justiça no WhatsApp, comentário esse que é uma mensagem na qual sintetiza muito bem o estado de espírito atual da esmagadora maioria dos Oficiais de Justiça.


      Depois de obter o consentimento do Armando para a divulgação do seu comentário e também do seu nome, vai a seguir reproduzido.


      «Colegas Oficiais de Justiça,


      O que se avizinha não é a reposição de direitos, nem a valorização da carreira. É, mais uma vez, a tentativa de nos fazer aceitar o pouco como se fosse muito, de nos vender ossos como se ainda houvesse carne.


      Há quem diga: “já nos comeram a carne, agora que nos comam os ossos”.


      Mas a verdade é ainda mais cruel, nem os ossos parecem suficientes para esta máquina insaciável.


      É particularmente vergonhoso assistir ao discurso da Aliança Democrática, manhoso e triunfante, proclamando a resolução de “todos os problemas” dos Oficiais de Justiça, como se a realidade nos tribunais tivesse mudado por decreto ou por comunicado.


      Falam em paz e pacificação, quando o que existe é cansaço acumulado, resignação forçada e revolta silenciada.


      Mais grave ainda foi a decisão dos dois sindicatos que, à revelia dos seus associados, assinaram um acordo, ou pré-acordo, sem mandato claro, sem transparência e sem um debate sério com a base.


      Um ato que muitos colegas sentem como uma traição, não apenas política, mas também moral.


      E depois há o eterno arrastar das chamadas “reuniões técnicas”. Técnicas para quem? Secretas para todos os outros.


      Reuniões sucessivas entre a Direção-Geral da Administração da Justiça, o Ministério da Justiça, o Governo e representantes sindicais que parecem existir apenas para ganhar tempo, esvaziar a luta e desgastar quem trabalha diariamente nos tribunais.


      Se o resultado de tantas reuniões é o SIADAP que nos querem impor, então é legítimo perguntar: o que é que os nossos representantes sindicais ainda lá estão a fazer?


      Quando o diálogo serve apenas para legitimar decisões já tomadas, deixa de ser diálogo. Passa a ser encenação.


      Talvez esteja na hora de dizer basta. Se o respeito não vem à mesa das negociações, então não faz sentido continuar sentado nela.


      Justiça para quem nela trabalha não é um “slogan” vazio, é uma exigência democrática. Fechar os tribunais, se necessário, até que esta Direção-Geral, esta ministra da Justiça e este Governo aprendam a ser mais sérios, mais corretos e mais responsáveis perante uma classe profissional que tem sido sistematicamente desvalorizada, injustiçada e destratada ao longo do último quarto de século.


      Isto já cansa.


      E quando o cansaço se transforma em consciência coletiva, a história mostra-nos que o silêncio deixa de ser opção.»


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      Fonte: “Grupo Nacional dos Oficiais de Justiça no WhatsApp”.

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